15/10/2020 - “Fiquei em outro mundo. Saí daqui do hospital e fui para um show”, diz paciente durante o Sarau do HGG



Médica residente e irmão emocionam pacientes durante edição do projeto na última quinta-feira

Aos poucos, as mãos acompanham o compasso dos pés, que timidamente se movimentam ao som que sai do violão. Segundos depois, é a vez da voz, ainda baixa, ecoar com a da cantora, citando frases da músicas conhecidas por todos na sala. “Eu fiquei distraído, em outro mundo. Saí daqui do hospital e fui para um show. Eu to me sentindo melhor”, relata Degmar Gomes de Olivera, de 55 anos, paciente do Hospital Estadual Alberto Rassi - HGG, ao acompanhar uma edição do Sarau do HGG, projeto de humanização do hospital que há 7 anos tem como objetivo levar distração e conforto a pacientes, acompanhantes e colaboradores.

A cantora em questão na verdade é uma médica residente que, após cantar para uma pacientes que estava em estado grave, resolveu ampliar a ação para outros pacientes. Luhan Chaveiro Martins e o irmão Tarihan se apresentaram nos quartos da enfermaria, arrancando palmas, sorrisos e choro de quem os ouvia. “É sempre bom poder levar um pouco de alegria para os pacientes. Estar internado, estar doente é uma coisa muito difícil de enfrentar e acho que a música pode ajudar, trazendo boas memórias, esperança. Para mim a música é isso, poder trazer isso para o paciente é muito importante, muito especial.”

Ela comenta que a situação é diferente de quando está no hospital como médica, embora o objetivo seja o mesmo. Com a música, pontua ela, é possível interagir de uma forma que como profissional da saúde ela não consegue. “O sentimento é de que existe outras maneiras de cuidar, além de ser médico. E eu acho que a música é isso. É um cuidado, um afago que a gente expressa por eles e vejo que eles retribuem cantando, sorrindo, agradecendo, chorando. Isso é muito tocante. A música vai a lugares que a gente não consegue como médico.”

Tarihan, que como Luhan não atua profissionalmente como a maioria dos artistas que participam do projeto, também aponta a sensação de fazer o bem levando um pouco de alegria aos pacientes. “Para mim é muito bom trazer arte, trabalhar com arte. Não é nosso ofício, mas é um pouco de alento para essas pessoas que estão passando por momentos difíceis. Mesmo assim, todo mundo consegue participar, cantar, aproveitar aquele breve momento de alegria que a música proporciona.”

Se depender de Juliana Ferreira da Silva, que acompanhava um paciente no hospital durante a apresentação, o objetivo foi alcançado. “É muito bom porque alegra bastante os pacientes e os acompanhantes também”, diz, caindo na gargalhada. “Dá uma alegriazinha para gente. É válido demais (o projeto).”




Quer receber notícias e novidades do Idtech diretamente no seu e-mail?

ASSINE NOSSA NEWSLETTER

© IDTECH - TODOS OS DIREITOS RESERVADOS