30/01/2018 - Primeira reunião dos familiares e cuidadores de pacientes com Alzheimer recebe geriatra



Especialista falou sobre os cuidados paliativos nas síndromes demenciais e a importância da abordagem na fase inicial da doença com o paciente e seus familiares

No último dia 25 de janeiro, membros da Associação Brasileira de Alzheimer (ABRAz) Regional Goiás realizaram o primeiro encontro de 2018. O objetivo dos encontros, que acontecem mensalmente no Hospital Estadual Alberto Rassi – HGG, é levar a familiares e cuidadores informações importantes sobre o problema através de profissionais da saúde ligados à área do Alzheimer, assim como a troca de experiências entre o público presente nos eventos.

A convidada deste mês foi a geriatra Zélia Sobrinha de Santana Rodrigues, que falou sobre cuidados paliativos nas síndromes demenciais, um tema de extrema importância que, segundo a especialista, deve ser abordado desde o inicio do diagnóstico e na fase inicial da doença, para que o paciente possa se manifestar sobre os cuidados que ele quer ter no final da vida, já que as demências limitam muito a vida desses pacientes. “É preciso perguntar a ele (paciente): Quando esse problema evoluir, quem você gostaria que representasse você? Quais dos seus filhos você acha que tem maior identidade com você? Que tipos de cuidados invasivos você gostaria no fim da vida? Se hoje acontecesse algo e você se visse precisando ir para a UTI, gostaria de se alimentar por sonda?”, pontuou.

A especialista ressaltou que a abordagem deve acontecer junto ao paciente e também com os familiares. “Isso não deve ser conversado numa fase da doença mais avançada, quando a família já está fragilizada e muito sofrida com todos os cuidados e as perdas que o doente vai sofrendo ao longo da doença”, explicou, acrescentando que esta conversa no início do problema permite que o paciente faça, se ele assim quiser, diretivas antecipadas de vontade. “Neste documento, que o idoso deve fazer enquanto lúcido e com suas capacidades de julgamento preservado, ele pode deixar registrado em cartório as escolhas sobre os cuidados que ele quer ter no final de vida, e que serão respeitados ele esteja em qualquer local, seja num hospital, clínica ou em domicilio, inclusive sobre não realização da reanimação cardiopulmonar, no caso de uma parada cardiorespiratória”.

Zélia, que é preceptora da residência em geriatria do Hugo e professora da Faculdade de Medicina da Pontifícia Universidade Católica de Goiás, falou ainda sobre cuidados de conforto e controle de sintomas e a importância da atenção multidisciplinar ao paciente, que incluem a parte psicológica, espiritual e nutricional. “Muitos estudos já provam que para um doente em fase final de vida, ele ser alimentado com uma grande quantidade de calorias e nutricional e não se alimentar, não muda em nada a sobrevida dele. Menores quantidades de alimento e que seja da preferência do paciente, não se preocupando com o valor calórico ou nutricional destes alimentos, pode levar mais conforto e bem-estar a esses pacientes”.



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