21/06/2018 - Doação de órgãos é tema destaque em palestra do AMA



A apresentação além de sanar dúvidas, alertou ao público sobre a importância do gesto que pode salvar a vidas daqueles que aguardam por um transplante

Nesta quarta-feira, 20 de junho, a psicóloga do Hospital Estadual Alberto Rassi – HGG, Telma Noleto, ministrou palestra com o tema "Doação de órgãos", aos usuários que aguardavam por consultas no Ambulatório de Medicina Avançada (AMA) da unidade. A palestra teve como objetivo ressaltar a importância do gesto, que pode salvar ou contribuir para a melhoria de vida de mais de 30 mil brasileiros que aguardam por um transplante.

Segundo a profissional, órgãos, tecidos e partes do corpo humano podem ser doados para beneficiar a saúde de outra pessoa, desde que não cause prejuízo ao organismo do doador. Além disso, a doação de órgãos pode ser feita tanto em vida, quanto após a morte. Em vida, órgãos como rim, parte do fígado e do pâncreas podem ser doados. Os rins por serem órgãos duplos e fígado e pâncreas por possuírem a capacidade de se reconstituir no organismo.

Quanto à doação de órgãos após a morte, podem ser doados rins, coração, pulmões, fígado, pâncreas e também tecidos, como córneas, pele e ossos. No Brasil, para ser doador de órgãos e tecidos, não é necessário deixar nada por escrito, basta avisar à família. Por isso a importância de se falar sobre o assunto, pois a doação só acontece após a autorização familiar documentada.

Além disso, cabe ressaltar que o doador deve decidir livremente sobre a sua vontade de realizar a doação e para isso deve ser bem informado. E para que esse direito seja exercido mesmo após a morte, cabe aos familiares saberem o desejo do doador e cabe ao potencial doador manifestar e expor essa vontade ainda em vida.

“Na hora que as coisas acontecem, você está emocionalmente desajustado e não é hora de tomar decisão. Normamente as pessoas tem muito medo e não possuem o controle emocional para isso naquele momento. Então o assunto deve ser tratado antes para que, no momento necessário, a família possa ter segurança para tomar esta decisão”, destacou a psicóloga, Telma Noleto.

Outra dúvida dos familiares neste momento difícil, é quanto à certeza do diagnóstico de morte encefálica. A retirada de órgãos, tecidos ou partes de um corpo humano após a morte só pode ser feita após a constatação e registro de morte cerebral e com a autorização do cônjuge ou parente de maior idade de até segundo grau familiar.

A morte cerebral deve ser comprovada por meio de exames, como um exame gráfico e um eletroencefalograma (EEG), feito por dois médicos de diferentes áreas. Além disso, a retirada de órgãos e tecido segue todas as normas de cirurgia de moderna. E todo doador pode ser velado de caixão aberto, normalmente, sem apresentar deformidades.

Já quanto ao destino dos órgãos, estes são transplantados para os primeiros pacientes compatíveis que estão aguardando em lista única da central de transplantes da Secretaria de Saúde de cada Estado. Esse processo, além de justo, é controlado pelo Sistema Nacional de Transplantes e supervisionado pelo Ministério Público. A Central de Transplantes determina qual será o destino do órgão doado seguindo critérios de gravidade da doença, tempo de espera e compatibilidade do organismo.

A profissional ressalta ainda que palestras como essa são de grande importância devido à grande falta de informação. “Apesar de existir uma lei de 1988, a informação é ainda muito deficiente. E quando não temos a informação adequada e não temos segurança, temos o medo. E diante o medo dizemos não a tudo. Isso ainda é o reflexo da falta de informação da nossa população, que resulta em uma lista de espera muito grande. Além disso, a morte é um assunto que ninguém quer conversar. Existe ainda muito receio e o mito de achar que está agourando e atraindo coisas ruins.”

Durante a palestra, quando questionados sobre a doação de órgãos, apenas quatro pessoas se manifestaram serem doadoras, entre um público com cerca de 50 pessoas. Ao final, pacientes puderam tirar dúvidas, como foi o caso de Eurípedes Rodrigues, de 69 anos, e que ressaltou a importância do gesto. “Estamos falando de vidas e vidas não têm preço. Então temos que procurar mantê-las. O que a gente leva daqui, é o que fizemos de bom. Então acho necessário palestras como essa, para alertar as pessoas sobre o assunto.”

A profissional destacou ainda que a única contraindicação absoluta para a doação é o HIV, outras enfermidades devem ser avaliadas pela equipe. E mais informações podem ser encontradas no site da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), pelo seguinte endereço: www.abto.org.br/



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