20/07/2018 - Oficina de arte proporciona benefícios para a saúde dos pacientes



Sob a orientação do artista plástico voluntário Alexandre Liah, Oficina de Arte tem como objetivo principal a humanização no processo hospitalar

Na última terça-feira, 17 de julho, os pacientes e acompanhantes do Hospital Estadual Alberto Rassi – HGG participaram da Oficina de Arte ministrada pelo professor da Escola de Artes Visuais (EAV), Alexandre Liah. A atividade, realizada no jardim da Solistência, conta ainda com o auxilio dos terapeutas ocupacionais da unidade e tem como objetivo principal a humanização no processo hospitalar.

Segundo a terapeuta ocupacional do HGG, Michelle Vaz, que acompanha o projeto há três anos, além da humanização, a atividade traz muitos outros benefícios para os pacientes, como a socialização. “A interação entre esses pacientes reduz os efeitos negativos da hospitalização. Quando o paciente passa muito tempo internado, ele acaba pensando muito na doença, na cirurgia, na medicação e na dor”, ressaltou.

Assim, é através dos projetos de humanização que o paciente consegue tirar a atenção do seu estado físico e emocional diante o tratamento. Segundo a terapeuta, durante a oficina várias funções cognitivas são trabalhadas, como atenção, concentração e memória, ainda ocorre a estimulação sensorial, no contato com os pincéis e tintas, e a estimulação motora, por meio da coordenação olho-mão.

Além disso, o ato de pintar requer dedicação e concentração. Um trabalho minucioso que permite uma conexão capaz de fazer que o tempo passe sem ser percebido permitindo se esquecer do que está ao redor. E através da pintura, o paciente evoca uma memória, às vezes, da infância e principalmente de casa. “Os nossos pacientes pintam muitas coisas relacionadas à casa deles. Alguns deles estão com saudade, sentem falta de casa”, conta a profissional.

Segundo Michele, os pacientes escolhidos para a atividade são os que estão há mais tempo no hospital, com condições de descer para o jardim e se encontram mais ociosos e com o humor rebaixado. Um dos pacientes que participaram da nova experiência, foi Ricardo Milhomens Paulino, de 35 anos, ele está no hospital há quatro dias e conta que foi bom para se distrair. “Quando me pediram pra pintar eu falei ‘Vamos lá! Já fiz tudo quanto é tipo de arte, vou tentar essa arte que não fiz’, e foi bom pra distrair e sair do ambiente de quatro paredes”.

Edson Carlos de Oliveira, de 46 anos, está no hospital há duas semanas devido a problemas renais e conta que nunca havia pintando. “Estou tentando pintar o universo a partir de um buraco negro. E adoro ler, acho que foi por isso que a terapeuta ocupacional me chamou, ela deve ter pensado que eu ia gostar de participar. E gosto também de desenhos, só não sei desenhar”, contou sorrindo.

A terapeuta conta ainda que, muitas vezes, ao serem convidados os pacientes rejeitam a ideia e apenas após a explicação dos objetivos terapêuticos aceitam participar da atividade e voltam muitos satisfeitos, principalmente pelo resultado, já que a maioria nunca teve contato com os pincéis. Mas ressalta que, apesar disso, o foco não é o produto final, como uma tela ou uma imagem de qualidade visual, e sim os benefícios terapêuticos que refletem diretamente no tratamento de saúde.



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