04/10/2018 - Entidades se reúnem para articular capacitação e emprego para adolescentes em conflito com a lei



Organizado pelo juiz da Vara da Infância e Juventude de Anápolis, Carlos Limongi, em parceria com o Ministério Público do Trabalho, projeto integra instituições públicas e privadas. Participantes conheceram a estrutura e as novas atividades desenvolvidas pelo Case de Anápolis

Com o objetivo de integrar as ações de reinserção dos adolescentes que cumprem medidas socioeducativas e dos jovens que estejam em situação de vulnerabilidade, entidades públicas e privadas, mediadas pela Vara da Infância e Juventude de Anápolis e pelo Ministério Público do Trabalho, se reuniram na quarta-feira, 3 de outubro, no Centro de Atendimento Socioeducativo (Case) na cidade.

Ao todo, 16 instituições, entre públicas e privadas, formam o grupo de trabalho, articulado pelo juiz Carlos Limongi Sterse, da Vara da Infância e da Juventude de Anápolis. O grupo está responsável pela execução de projetos de profissionalização e encaminhamento ao mercado de trabalho dos adolescentes.

Antes da reunião, os participantes conheceram a estrutura do Case de Anápolis, administrado pelo Instituto de Desenvolvimento Tecnológico e Humano (Idtech), e as atividades recreativas, esportivas e culturais que estão sendo promovidas pela nova gestão da unidade. Sala de informática climatizada, equipada com 13 computadores e um videogame com óculos de realidade virtual, espaço para a realização de oficina de pintura, galpão de atividades esportivas e recreativas como judô, karatê e pingue-pongue, além da quadra poliesportiva.

Durante a passagem pela oficina de pintura, o adolescente que cumpre medida socioeducativa na unidade, Paulo Júnior*, chamou a atenção dos participantes para o trabalho em tela que estava desenvolvendo. “Estou pintando a história da minha vida e meu desejo para o futuro. Desde a escolha ruim que fiz lá atrás até o destino que quero chegar um dia, me tornar um agrônomo e mudar meu destino”, contou emocionado.

Cursos de capacitação

A 2ª reunião do grupo de trabalho teve o objetivo de expor, a partir de uma pesquisa realizada com os próprios adolescentes, os cursos profissionalizantes de interesse dos mesmos. Dentre o ranking dos cursos pretendidos, estão, em primeiro lugar, o de informática básica, em seguida, o de mecânico automotivo e eletricista de instalador predial. Ao todo, durante a pesquisa os adolescentes apontaram 20 cursos de capacitação.

“Precisamos fazer a nossa parte diante dos problemas sociais vigentes. Há quase 20 anos trabalhando na Vara da Infância, tenho notado um crescimento no número de adolescentes em medida e que, infelizmente, têm perdido a vida. É preciso dar oportunidade para que eles escolham um caminho diferente. Nenhum desses jovens está aqui porque escolheu estar, mas porque não tiveram opções diferentes. Precisamos chamar essa responsabilidade também para nós, porque somos parte de uma sociedade e só será possível uma transformação com um trabalho em conjunto. Sabemos que a mudança virá em curto e médio prazo, pois ela já vem sendo observada, graças ao empenho de todas as instituições que estão conosco nesse projeto”, destacou o juiz Carlos Limongi Sterse.

A iniciativa também contou com a presença de representante de empresas, como a Ypê Indústria de Higiene e Limpeza. “Nós viemos aqui para conhecer o projeto e poder participar enquanto empresa e indústria. Nosso objetivo é conseguir inserir esses rapazes no mercado de trabalho, por meio dos nossos programas de aprendizagem e projetos que já temos em parceria com o Senai. Queremos devolver à sociedade esses cidadãos já inseridos no mercado de trabalho”, comentou a coordenadora da YPÊ, Letícia Alves Mio.

A coordenadora contou ainda sobre a experiência positiva ao conhecer a unidade. “Fiquei emocionada com o que eu vi, pois quando a gente passa do lado de fora, não tem a noção de como é a vida e a realidade aqui dentro. Eu agradeço o convite e espero que possamos ajudar com a nossa parceria. Queremos que esse projeto aconteça”.

O coordenador executivo do Idtech, José Cláudio Romero, agradeceu a presença de todos e falou da importância do encontro. “Em sócio educação a gente precisa formar cidadãos e nós fazemos isso com o trabalho que cada um de vocês realizam nas suas instituições. Nós queremos preparar esses adolescentes para a rotina de trabalho. No que se refere às relações humanas e apresentação social, nós queremos cursos profissionalizantes sim, mas também vamos trazer cultura, dança e muitas outras coisas, porque a educação só é efetiva se for realizada de forma integral, pois esse é um passaporte para a cidadania”, comentou o coordenador executivo.

Para a próxima reunião, agendada para novembro, o Ministério Público do Trabalho irá apresentar, a partir de uma pesquisa junto ao Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED), as principais vagas de emprego dispostas no mercado de trabalho.

Além do Juizado da Infância, estão envolvidos o Ministério Público do Trabalho (MPT), Grupo Executivo de Apoio a Crianças e Adolescentes (Gecria), vinculado à Secretaria Cidadã, Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg), Senai, Senac, Sebrae, Instituto Federal de Goiás (IFG), Instituto Tecnológico do Estado de Goiás (Itego), Câmara de Dirigentes Logistas (CDL), Base Aérea de Anápolis, Secretaria Municipal do Desenvolvimento Social de Anápolis, Associação Comercial e Industrial de Anápolis (ACIA), ONG Cruzada Pela Dignidade, Rotary Club de Anápolis, Indústrias YPÊ e Instituto de Desenvolvimento Tecnológico e Humano (Idtech).

Case de Anápolis

O Case é uma instituição de retaguarda do Juizado da Infância e Juventude e tem capacidade para abrigar até 80 adolescentes entre 12 e 18 anos incompletos que cumprem medidas socioeducativas de internação. O local conta com alojamento individual, além de salas para cursos profissionalizantes, auditório, galpão industrial e quadras poliesportivas. Atualmente, a unidade atende 49 adolescentes.

A proposta do Idtech contempla o desenvolvimento de atividades relacionadas a educação, cultura, esporte, lazer e recreação, além de profissionalização, saúde, segurança, dentre outros, nos pressupostos da gestão humanizada e participativa. A organização social está desenvolvendo um trabalho humanizado envolvendo a participação dos adolescentes, colaboradores e seus familiares. Esta semana, o Idtech dará início ao curso de informática na unidade.

*Nome fictício em obediência ao Estatuto da Criança e do Adolescente




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