Goiânia, 25 de abril de 2017    




Notícias

(15/09/2014) HGG reúne mais de 70 profissionais durante I Jornada de Cuidados Paliativos

Evento foi realizado na última sexta-feira, 12 de setembro, e contou palestras e estudos de casos

O Hospital Alberto Rassi – HGG realizou na última sexta-feira, 05 de setembro, sua 1ª Jornada de Cuidados Paliativos. Mais de 70 profissionais, do próprio HGG e de outras instituições de saúde, lotaram o Auditório para acompanhar palestras e estudos de casos sobre o tratamento.

Quem ia chegando, se acomodava nos lugares ao som da bela harpa paraguaia, tocada pela jovem Aline Araújo. “Que melodia mais linda”, dizia uma participante. As boas vindas foram dadas pelo diretor de Ensino e Pesquisa do HGG, Marcelo Rabahi. “Hoje vocês estão aqui para aprender tudo sobre cuidados paliativos. Não tenham medo de fazer perguntas. Se abram ao assunto e estimulem o debate sobre esse importante tema que precisa ser mais abordado na sociedade”, orientou.

Para a geriatra e coordenadora da equipe de cuidados paliativos da unidade, Ana Maria Porto Carvas, a dinâmica do tratamento é uma só: dar qualidade de vida a quem está acometido por uma doença terminal. “Olhar pela doença, ter o melhor diagnóstico, está na literatura. Mas olhar para o paciente e sua família não está. Cuidados paliativos é exatamente isso. É aliviar o sofrimento”.

A também geriatra e especialista em cuidados paliativos, Isadora Crosara, que ministrou a palestra “Como definir critérios, orientações e abordagem para inclusão dos pacientes em Cuidados Paliativos” também partilha da mesma opinião. Para ela, ainda existem alguns mitos na sociedade sobre o tipo de tratamento. “Conversar sobre cuidados paliativos ainda é complicado porque temos o pensamento de manter a vida a qualquer custo. Mas precisamos começar a adotar esse tipo de tratamento. Tem alguns casos em que a própria família conta para a equipe médica que está rezando para que o ente querido vá embora logo porque está sofrendo demais. Algumas pessoas pensam que cuidados paliativos é tudo aquilo que se faz quando não se tem mais nada a fazer. É uma grande mentira porque vai muito além do conforto em morrer. Diz respeito, principalmente, a viver", conta Isadora.

Ela também arrancou risadas quando o assunto foi a perda de apetite dos pacientes acometidos. “A falta de apetite é consequência da doença, mas os meus pacientes que recebem cuidados paliativos comem até o último dia de vida, porque o maior prazer que a gente tem na vida é comer”, contou. Outro ponto de destaque de sua palestra foi o apego a alguns casos. “É impossível não se envolver emocionalmente com um ou outro caso. Eu me emociono e é permitido se emocionar”, disse.

A gastroenterologista e especialista em Clínica Médica, Cacilda Oliveira apresentou em "Aspectos éticos, legais e as diretivas antecipadas de vontade do paciente em Cuidados Paliativos", casos internacionais de pacientes terminais que tiveram na Justiça direitos concedidos para abreviar a vida, como retirar a alimentação enteral e desligar equipamentos. Segundo ela, cada situação deve ser vista de uma maneira. “A ética é muito relativa, pois ela pode mudar de acordo com a sociedade, já que vivemos em constante evolução”. Além disso, ela também apresentou como exemplo brasileiro a criação da Lei Mário Covas, que autoriza médicos – perante a autorização da família, suspender tratamentos que prolonguem a vida de pacientes sem chance de cura.

Uma das palestras mais aplaudidas foi a do psicólogo do HGG, Dimilson Vasconcelos, que encantou os presentes com a palestra “Sobre Morte e Morrer”. O membro da equipe de Cuidados Paliativos do hospital arrancou lágrimas quando fez os presentes a analisarem a música “Epitáfio”, do Titãs. “Cuidados paliativos é uma filosofia de vida. Quando a gente vai atender um paciente no leito temos que entender que ele deixou de falar e fazer uma série de coisas e que ele tem arrependimentos. Às vezes apenas escutar o que ele tem a dizer já é suficiente”, pontuou.

Para Lanusse Rosa Soares, cirurgiã dentista do Serviço de Odontologia para Pacientes Especiais do HGG, a Jornada serviu de suporte para o novo trabalho que começou a ser desenvolvido no Centro de Terapia Intensiva (CTI). “Foi muito importante participar deste evento hoje. O papel na odontologia com pacientes que recebem cuidados paliativos deve ser ressaltado, porque como aprendemos hoje, não devemos tratar somente a doença”, aborda.

Já Eliana Nadim Sabah, psicóloga auditora do Ipasgo, o assunto será discutido em casa. “A Jornada me acrescentou muito conhecimento. É um tema que chama muita atenção e deve ser discutido. É o que eu vou fazer em casa, apresentar o tema, dialogar”, afirma.

Ortotanásia, distanásia e eutanásia
Por a morte ser envolta por culturas distintas e o assunto não ser tão discutido, algumas pessoas desconhecem alguns termos. São eles: ortotanásia, vertente utilizada pelos cuidados paliativos, em que consiste em deixar que o paciente siga seu caminho natural para a morte, sem aumentar a vida de forma artificial, apenas acompanhando para que a morte seja menos sofrível e de forma natural; distanásia, que é o ato de prolongar a vida do paciente com medicamentos e aparelhos de forma inútil, uma vez que a morte já é uma sentença; e a eutanásia, caracterizada pelo ato de diminuir o tempo de vida do paciente.


Fonte: IDTECH






IDTECH - Todos os direitos reservados

Rua 01, Qd. B-1, Lt. 03/05 nº 60 - Térreo, Setor Oeste, Cep. 74115-040, Goiânia/GO
Telefone: 62 3209-9700