Goiânia, 29 de maio de 2017    




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(09/02/2015) Seminário debate políticas públicas para moradores em situação de rua

Evento foi organizado pelo Ministério Público de Goiás e contou com a parceria do Instituto de Desenvolvimento Tecnológico e Humano (Idtech) pelo segundo ano consecutivo

Aconteceu nesta sexta-feira, dia 6 de fevereiro, o II Seminário Povos de Rua: Políticas Públicas e Emancipação, promovido pelo Ministério Público de Goiás (MP-GO) com o objetivo de discutir a questão dos moradores em situação de rua na capital. O evento, que teve o apoio do Instituto de Desenvolvimento Tecnológico e Humano (Idtech), contou também com a participação do Movimento População de Rua, e teve abertura com o procurador-geral de Justiça do Estado, Lauro Machado.

Antes da abertura oficial do seminário, o Rapper Rafael Teixeira fez uma apresentação cultural com a participação dos membros do Movimento População de Rua. O músico foi morar na rua ainda adolescente, quando seus pais se divorciaram e ele decidiu sair de casa, e então passou nove anos de sua vida de viaduto e viaduto na grande São Paulo. Com veia artística em duas gerações da família, filho do guitarrista do Erasmo Carlos e neto do saudoso Teixeirinha, ele compôs o rap “Tô na Rua” e descobriu nas rimas o apoio para as condições de vida que levava. “Tô na rua, e todo mundo tá vendo. Eu tô na rua, e ninguém tá me entendendo. Eu tô na rua, lugar melhor estou querendo”, diz trecho da música.

Após a apresentação de Rafael, a informalidade do evento cedeu espaço para o depoimento de abertura do procurador-geral de Justiça, Lauro Machado. Ele falou aos presentes sobre a necessidade da criação de políticas específicas para atender a população em situação de rua e lembrou o sucesso da primeira ação, realizada no ano passado durante o I Seminário Povos de Rua: visibilidade, políticas públicas e perspectivas. “A pluridade e a eliminação das desigualdades sociais é o nosso objetivo.”

Pela manhã, o evento contou com a presença de três palestrantes. O primeiro a falar foi Gladston Figueiredo, da Pastoral Nacional do Povo da Rua. Ele falou sobre a falta de moradia nos grandes centros urbanos ao mesmo tempo em que existem espaços ociosos. Já a segunda a falar no evento foi a coordenadora do Comitê de Monitoramento e Acompanhamento da Política Municipal para População de Rua de Belo Horizonte, Soraya Romina. Ela apontou as estatísticas recentes dos moradores de rua da capital mineira, e mostrou que 94% deles desejam sair da situação em que se encontram, dependendo somente de trabalho e moradia.

O último palestrante da manhã foi o fundador do Movimento Nacional População de Rua, Anderson Miranda. Ele, que deu uma verdadeira lição de vida durante os 30 minutos que falou no evento, contou que foi morar na rua com apenas 11 anos de idade. De acordo com ele, é filho bastardo do primeiro juiz negro de Itapecerica da Serra, em São Paulo, e a mãe o colocou em um orfanato, de onde ele foi expulso. “O que eu passei na rua eu não desejo a ninguém. As pessoas passavam e cuspiam em mim, e durante uma noite dormindo embaixo de um viaduto, fui abusado sexualmente por um homem fardado. Hoje eu saí das ruas, mas enquanto tiver gente morando nela, a rua não sairá do meu coração”, emocionou.

Esta é a segunda vez que o Idtech apoia a ação coordenada pelo Centro Operacional de Direitos Humanos do MP-GO. Ano passado, a Organização Social levou para a Praça do Bandeirante edição especial do projeto Solidariedade.ponto.com, que colocou à disposição dos moradores em situação de rua do Centro da Capital computadores com acesso à Internet. Este ano, o Idtech cedeu 200 kits com lanche para serem utilizados na mobilização dessa população durante a semana do Seminário.


Fonte: IDTECH






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