Goiânia, 26 de junho de 2017    




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(27/05/2015) HGG atende pacientes com obesidade mórbida

O Programa de Controle e da Cirurgia de Obesidade já realizou 22 cirurgias bariátricas neste ano. O procedimento é apenas uma parte de um longo preparo para emagrecer

Quarenta centímetros a menos na cintura e a balança marcou menos 15 quilos. Esta é Sônia Maria Salomé Costa após submeter-se a uma cirurgia bariátrica há um mês no Hospital Alberto Rassi (HGG). A dona de casa de 43 anos é só alegria e exibe as novas medidas. “Agora eu uso GG”. Atualmente ela está com 136 quilos, mas já atingiu os 165 quilos em outras épocas. Sônia é uma das 500 pacientes inscritas no Programa de Controle e da Cirurgia de Obesidade (PCCO) do HGG.

O PCCO atende pacientes com obesidade mórbida, ou seja, aqueles com Índice de Massa Corpórea (IMC) acima de 40 e pacientes obesos com IMC acima de 35, com comorbidades (pressão alta, diabetes, apneia do sono). Para calcular o IMC, basta dividir o peso (em quilos) pela altura (em metros) ao quadrado. Por exemplo, se o seu peso é 80 quilos e a sua altura é 1,80m, a conta será 1,80 x 1,80=3,24 e então divida 80 por 3,24= 24,69, ou seja, IMC Normal.

Tratamento completo

A cirurgia bariátrica é apenas uma parte do tratamento oferecido pelo Programa de Obesidade e o diretor técnico do HGG, médico Rafael Nakamura, esclarece que a cirurgia deve ser uma exceção, realizada apenas quando o paciente já tentou outras formas para emagrecer. Antes de o paciente do PCCO ser apto para este tipo de cirurgia, ele passa por preparo, de três a seis meses, contando com uma equipe multiprofissional formada por psicólogos, fisioterapeutas, assistentes sociais, fonoaudiólogos, enfermeiros e nutricionistas.

Sônia passou por todo o preparo com os diferentes profissionais, mas quando ia fazer a cirurgia, precisou cuidar da tireóide. “Foi no tempo em que Deus quis”. Agora ela comemora os resultados positivos e conta que até o marido está emagrecendo ao acompanhá-la nesta rotina de nova alimentação e um futuro mais otimista. “Sempre me aceitei mas penso na minha saúde daqui uns anos. Meus ossos não aguentariam esse peso com 50, 60 anos”. Após a cirurgia, os pacientes continuam sendo acompanhados pelos profissionais do PCCO, com atendimentos em grupo ou individualizados.

O Programa de Obesidade realizou até abril deste ano 22 reduções de estômago. Criado no HGG em 2010, na época atendia a um número reduzido de pacientes por falta de profissionais exclusivos para o trabalho e por falta de estrutura do hospital. As cirurgias bariátricas não chegavam a duas por mês (dados de 2011/2012). Atualmente, o Programa de Obesidade realiza, em média, 12 cirurgias por mês. Em 2013, foram realizadas 39 cirurgias; e em 2014, 45.

A espera

Quem aguarda ansiosamente pela cirurgia bariátrica é Dayele Gonçalves Ferreira, de 26 anos. A previsão é que até agosto ela já tenha se submetido à redução de estômago. Atualmente a jovem está com 133 quilos e até lá precisa perder 10% do peso. Dayele começou a engordar após os 11 anos de idade. Já tomou remédios e, numa constante briga com a balança, fez diferentes dietas, mas cada vez que começava uma nova forma de emagrecimento, a imunidade caía e ela adoecia. Já fez cirurgia no joelho por conta do excesso de peso e revela outras dificuldades encontradas. “Subir escada é muito cansativo”.

Ela já passou por situações constrangedoras ao usar o transporte público e em entrevistas de emprego. “Já ouvi muita coisa e a gente se isola. Machuca muito”. Mas o que a deixava mais chateada era quando saía para comprar roupas. “A gente não encontra roupa, muito menos roupa bonita. Chegou um momento em que falei para a minha mãe que não iria mais às lojas. Ela começou a comprar e trazia para mim”. A meta de Dayele, após a cirurgia bariátrica, é chegar aos 70 quilos. Entre as mudanças que o procedimento vai proporcionar, ela tem uma certeza: a vida vai melhorar.

Mais da metade da população obesa

Segundo pesquisa do Ministério da Saúde Vigitel 2014, o excesso de peso já atinge 52,5% da população adulta no Brasil. Essa taxa, nove anos atrás, era de 43% – o que representa um crescimento de 23% no período. Também preocupa a proporção de pessoas com mais de 18 anos com obesidade, 17,9%, embora este percentual não tenha sofrido alteração nos últimos anos. Os quilos a mais na balança são fatores de risco para doenças crônicas, como as do coração, hipertensão e diabetes, que respondem por 72% dos óbitos no Brasil.

Entre os homens e as mulheres brasileiros, são eles que registram os maiores percentuais, ainda segundo a mesma pesquisa. O índice de excesso de peso na população masculina chega a 56,5% contra 49,1% entre elas, embora não exista uma diferença significativa entre os dois sexos quando o assunto é obesidade. Em relação à idade, os jovens (18 a 24 anos) são os que registram as melhores taxas, com 38% pesando acima do ideal, enquanto as pessoas de 45 a 64 anos ultrapassam 61%.

A cirurgia

Na cirurgia bariátrica, popularmente conhecida como ‘redução de estômago’, como o próprio nome diz, o estômago é reduzido. O coordenador do Programa de Obesidade, médico cirurgião bariátrico Juarez Távora, explica que no estômago cabe entre 1,5 e 2 litros e depois da cirurgia, caberá o equivalente a uma xícara de café.

O pós-operatório também requer cuidados. A dieta, acompanhada por nutricionista, no início deve ser apenas líquida. Depois vai para a pastosa e, com o tempo, vai evoluindo até chegar a alimentação sólida. O médico Nakamura explica que, como a sensação de saciedade vem do estômago, quando se tem o volume reduzido, essa saciedade vem muito rápido, mas enfatiza que nem a cirurgia, nem o pós-operatório são simples. Não é porque fez uma cirurgia que o paciente deve se descuidar de ter uma alimentação saudável ou da prática de exercícios físicos, pelo contrário, deve ter mais atenção.

Juarez informa que os pacientes podem voltar a engordar, principalmente em três circunstâncias. “O paciente que bebe, o que não faz nenhum exercício e o comedor de doce. Esses três pacientes são buscados durante o preparo para que tenhamos um cuidado a mais”.

Juarez comenta que a partir de uma cirurgia como esta e da perda de peso, o paciente se sente mais inserido no ambiente social. E depois, se for a vontade do paciente, ele pode fazer a cirurgia plástica para retirar o excesso de pele, também oferecida no Hospital Alberto Rassi.



Fonte: Goiás Agora






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