Goiânia, 20 de agosto de 2017    




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(07/04/2011) Maioria dos internos do hospital Batuíra nunca havia navegado na internet

Portadores de transtorno mental e dependentes químicos participam do Projeto Solidariedade.ponto.com, que ocorreu nesta quinta-feira. O superintendente da Secretaria de Ciência e Tecnologia, Reilly Rangel, conferiu de perto o trabalho dos voluntários

Carlos Alberto Correa, 34 anos, dependente químico, está em tratamento no Instituto Espírita Batuíra de Saúde Mental há um mês. Na manhã desta quinta-feira, 7 de abril, esteve em contato com a internet pela primeira vez. A experiência inédita foi por meio do Projeto Solidariedade.ponto.com, uma iniciativa do Instituto de Desenvolvimento Tecnológico e Humano (Idtech), que levou um centro de informática ao hospital psiquiátrico. O superintendente executivo da Secretaria de Ciência e Tecnologia do Estado (Sectec), Reilly Rangel, conferiu de perto o trabalho dos voluntários, no qual denominou como uma ação de inclusão sócio-digital.

“Para nós, navegar na internet é um momento simples, mas para eles é muito especial”, afirmou o superintendente e também presidente da Comunidade Tecnológica (Comtec). Reilly Rangel parabenizou a iniciativa, que segundo ele, vai além da inclusão digital, por integrar pessoas que devido seu estado de saúde ou condição social estão afastadas da tecnologia. Segundo ele, a exclusão digital ainda é uma realidade no Brasil e no Estado. “Somente 8% dos moradores de Goiás têm acesso à internet”, disse.

De acordo com a diretora do Instituto Batuíra, Nívea Teixeira da Silva Haas, a maioria dos internos nunca havia navegado na internet, ou até mesmo, utilizado o computador. O hospital que atende somente pelo SUS trata 77 dependentes químicos e portadores de transtornos psicológicos, como esquizofrenia e bipolaridade. “Senti que houve uma descoberta por parte dos pacientes. Alguns até mesmo pesquisaram sobre a sua doença. Surpreendeu as expectativas em relação ao comportamento deles, que contribuíram para um ambiente harmonizado”, avaliou.

As últimas edições do Solidariedade.ponto.com, realizadas na pediatria do Hospital Araújo Jorge e no Centro de Orientação e Assistência ao Encefalopata (Corae), tiveram como público crianças e jovens. Para o assessor de Tecnologia da Informação do Idtech, Adonai Andrade, o trabalho no Instituto Batuíra se difere por trabalhar somente com adultos. “O interesse é outro. Enquanto as crianças gostavam de brincar com os jogos virtuais, os adultos preferem navegar na internet”, disse. Um dos pacientes chegou a usar o e-mail para avisar os colegas que faltaria à aula da faculdade porque estava internado.

“Foi superótimo!”, disse Carlos Alberto Correa, que cantou junto com a banda Legião Urbana enquanto assistia o clipe no Youtube. Ele também gostou muito de ver a performance da banda Guns’n Roses na música November Rain. Os internos se revezaram para que todos pudessem utilizar o computador. O tempo de 30 minutos foi considerado pouco pelo paciente. “Mas assim como eu tive o direito, os outros também devem ter”, comentou conformado.

No Projeto Solidariedade.ponto.com, até ocorreu um encontro entre a modernidade e o passado. A senhora Abadia da Silva ficou hipnotizada com o tocador de viola que apresentou sua música em um programa de televisão, que por sua vez, acabou caindo na rede. A paciente, que nunca havia chegado perto do computador, disse ter adorado a atividade diferente no hospital.

A terapeuta ocupacional Renata Moraes teve um pouco de trabalho para recrutar os internos para participar do projeto. “No início, eles ficaram desconfiados, mas logo que a primeira turma voltou para o pátio e contou como era, todos também quiseram participar”, relatou. Ela foi uma das colaboradoras que organizou a fila para utilizar os quatro computadores instalados pela equipe voluntária do Idtech. “Identifiquei os pacientes que mais tiveram interesse para que eles pudessem voltar e se divertirem mais um pouco.”

Centro permanente
O coordenador executivo do Idtech, José Cláudio Romero, que acompanhou os trabalhos no Instituto Batuíra, informou que está em busca de parceiros interessados em doar computadores ou mobiliários para a instalação de centros digitais permanentes nas instituições de saúde pública. Em setembro de 2009, a organização instalou duas máquinas na pediatria do Hospital Araújo Jorge. De acordo com as enfermeiras, as crianças e adolescentes em tratamento quimioterápico sofrem menos com os efeitos colaterais dos remédios enquanto estão distraídos brincando com jogos, navegando na internet ou até mesmo conversando com os amigos e familiares.


Fonte: IDTECH








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