Goiânia, 23 de julho de 2017    




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(03/12/2012) 13ª edição do Projeto Plateia Social mostra como a arte transforma as pessoas

Quando a cortina se fechou ao final da peça Monólogos da Vagina, no Teatro Madre Esperança Garrido, no domingo, se abriram os olhos de alguns dos que assistiram à peça por meio da iniciativa de inclusão social. “Sou outra pessoa”, disse espectadora.

O Projeto Plateia Social completou no domingo, com a peça Monólogos da Vagina, de Eve Ensler, que esteve em cartaz no Teatro Madre Esperança Garrido, a sua 13ª edição. Um grupo de 14 moradores do Residencial Jardins do Cerrado foi beneficiado pela iniciativa, que promoveu, em pouco mais de cinco meses, a inclusão cultural de mais de 3,5 mil pessoas. Para a coordenação do Projeto, lançado em 22 de junho pelo Instituto de Desenvolvimento Tecnológico e Humano (Idtech), os objetivos de levar informação e cultura a pessoas excluídas dessas oportunidades estão sendo plenamente atingidos. E mais que isso, o acesso à arte está transformando muitas pessoas.

Nesta edição o espetáculo exigiu que o espectador tivesse sensibilidade para perceber que, por trás do texto engraçado e recheado de palavras consideradas chulas, é proposto um debate importante sobre sexualidade e direitos femininos. Apesar de os participantes serem em sua maioria de baixa escolaridade, que não têm muitas oportunidades de ler e se atualizar, o recado foi bem entendido e o espetáculo fez com que alguns mudassem sua forma de ver e entender a vida e as pessoas. “Na saída do teatro, me olhei em um espelho, no hall, e me vi outra pessoa. Disse a mim mesma, estou viva”, exclamou a babá Antônia Pereira de Carvalho, 55 anos.

A frase tem um significado profundo, porque foi dita por uma trabalhadora evangélica, que sai de casa apenas para ir à Igreja ou fazer alguma visita. “Não tenho lazer”, contou a mulher, durante a recepção para um lanche que o grupo teve no Castro’s Park Hotel, parceiro do Projeto. Ao final da peça, sorridente, de olhos brilhantes, fez questão de abraçar os atores, tirar fotos e agradecer o técnico social Renato Vieira, que foi à sua casa convidar para participar do Projeto. “Eu vi hoje que estou acomodada e que existem questões sobre as quais as pessoas não querem falar, mas que precisam ser discutidas”, disse ela, que só havia ido ao teatro uma vez na vida.

Marly Pereira de Souza, 52 anos, resgatou no Projeto Plateia Social o gosto que conservava quando era saudável e trabalhava como supervisora e gerente comercial e industrial. “Perdi um filho e tive depressão que evoliu para uma esquizofrenia. Me aposentei por invalidez e nunca mais consegui frequentar o teatro, a ópera, como tanto gostava.” Até na rua Marly de Souza diz que já morou, antes de adquirir o apartamento subsidiado. “Está certo que gostaria de estar aqui neste hotel e depois ir ao teatro vestida de acordo, com uma joia e meus dentes perfeitos (ela perdeu um dente ao ser atropelada quando morava na rua), mas é maravilhoso ter esta oportunidade.”

A 13ª edição do Projeto Plateia Social foi especial também pelo carinho que o produtor Cassio Reis e as atrizes Cacau Melo, Chris Couto e Adriana Lessa dispensaram ao Projeto e aos participantes depois do espetáculo. Ao final do espetáculo, as atrizes leram a faixa estendida em frente do palco e pediram aplausos para a iniciativa. Cassio Reis conversou com o coordenador executivo do Idtech, José Cláudio Romero, e a coordenadora do Projeto, Lili Moreira. Também fez questão de dar um recado aos participantes. “É muito importante ir ao teatro, mesmo que às vezes pareça chato”, salientou.
As atrizes pacient
emente posaram para fotos. Cacau Melo e Adriana Lessa até foram à porta do teatro para uma foto do grupo. Cacau Melo gostou tanto que ficou por ali. Pediu para que tirassem foto com seu celular e forneceu e-mail para receber informações sobre o Projeto. “Ficamos felizes de participar de iniciativas como estas. Ver estas pessoas aqui engrandece o nosso trabalho.” Para o técnico social Renato Vieira, esta edição do Plateia foi mesmo diferente. Durante a peça, as atrizes arrancaram risos da plateia elegendo o colaborador como referência para interagir com o público. Mesmo quietinho na sua poltrona, Renato Vieira virou uma espécie de personagem do espetáculo.

O espetáculo

De autoria da escritora e ativista americana Eve Ensler, Monólogos da vagina foi escrito em 1996 com base em entrevistas que a autora fez com mais de 200 mulheres de vários países sobre sexo, relacionamentos, violência doméstica, estupro, etc. O espetáculo, que trata da sexualidade e dos direitos femininos, acabou se transformando um enorme movimento mundial para acabar com a violência contra as mulheres. A peça foi apresentada inclusive em países Islâmicos, considerados muito fechados para tal contexto, incluindo Egito, Indonésia, Bangladesh, Malásia e Paquistão.

A estreia brasileira aconteceu em 7 de abril de 2000, no Teatro Clara Nunes, no Rio de Janeiro, com incrível sucesso de público e crítica. A adaptação e direção do texto é de Miguel Falabella, que tornou-se o primeiro diretor no mundo a escalar três atrizes para, ao mesmo tempo, encenarem as narrativas das entrevistas originais colhidas por Eve Ensler. Essa concepção, a pedido da própria autora que esteve presente na estreia brasileira, foi adotada mundialmente em todas as produções, e assim permanece até hoje.

O projeto

O Projeto Plateia Social se dedica a proporcionar oportunidade de acesso à arte a pessoas que nunca foram ou não tem oportunidade de frequentar espetáculos culturais. Nas 13 edições, os participantes puderam assistir peças como Dona Flor e Seus Dois Maridos, A História de Nós Dois, Hermanoteu na Terra de Godah, O Circo dos Amores Impossíveis, O Menino que Vendia Palavras, As Pontes de Madson e o balé Teatro Scala de Milão, além de ter levado crianças para ver a exposição O Mundo Jurássico.

O projeto fornece os ingressos em conjunto com produtores culturais e providencia transporte e lanche, com estabelecimentos parceiros. Nesta edição, os participantes serão recebidos no Castro’s Park Hotel com um cardápio especial, em função do Natal, que incluiu torta de brigadeiro, quiche vegetariana.



Fonte: IDTECH / HGG








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