Goiânia, 25 de abril de 2017    




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(08/04/2014) Herói maranhense volta ao HGG para agradecer

Márcio Ronny da Cruz e sua família estiveram no Hospital Alberto Rassi nesta sexta-feira, dia 4 de abril. Equipe do Centro de Terapia Intensiva ficou feliz em poder vê-lo em bom estado de saúde

Eram mais de 22 horas do dia 8 de janeiro, quando Márcio Ronny da Cruz chegou ao Hospital Alberto Rassi – HGG com mais de 70% do seu corpo queimado. A equipe do Centro de Terapia Intensiva não sabia bem a história daquele paciente internado em estado gravíssimo. Mas, tratava-se de um herói maranhense, como vem sendo chamado pela imprensa. Márcio ajudou a resgatar três pessoas de um ônibus que fora incendiado em um ato de terrorismo por parte dos presidiários. Entre as pessoas estava uma criança de seis anos, que o então entregador de frangos, em um ato de coragem (ou de instinto) abraçou para apagar o fogo que se alastrava no corpo da menina.

A tragédia aconteceu em São Luis, capital do Maranhão. Talvez por estar predestinado a salvar vidas, Márcio preferiu entrar em um ônibus menos cheio, deixando passar outros dois que estavam lotados. Os criminosos jogaram gasolina em sua camisa e quando conseguiu sair, já em chamas, se jogou em uma poça de lama. Foi quando ouviu a mãe e as duas meninas gritando. Ao perceber que não tinha ninguém para ajudar, saiu correndo para resgatá-las do fogo. Apesar da criança de 6 anos ter morrido, ficou o exemplo de amor ao próximo para todo o País.

Márcio Rony foi transferido de jatinho médico para Goiânia. Com ele, veio a sua irmã, Assunção da Cruz, que deixou marido e filhos para cuidar do paciente. A educadora estava totalmente perdida ao chegar num local desconhecido, num momento crítico, quando seu irmão estava entre a vida e a morte. “O recepcionista do HGG, um senhor grisalho, conversou muito comigo. Me aconselhou a descansar para ficar forte e assim, conseguir ajudar Márcio. Ele ainda me levou para jantar e indicou um hotel para eu ficar”, conta, ela, sobre o colaborador Hélio de Luz Silva.

Ao se deparar com o paciente Márcio Rony, o subgerente de enfermagem do Centro Terapia Intensiva (CTI), Álamo Araújo, enfrentou um dos maiores desafios da sua carreira. O curativo do considerado “grande queimado” demorou quase três horas. No último dia 4 de abril, quase quatro meses depois dos curativos, Álamo e toda a equipe do CTI que ajudou na recuperação do paciente herói puderam ver o quanto o trabalho valeu a pena. “Márcio está em pé, Márcio está andando, Márcio está se alimentando com as próprias mãos, Márcio está conversando, Márcio está lúcido”, disse Assunção emocionada à imprensa e aos profissionais do HGG sobre o estado de seu irmão.

Assunção esteve o tempo todo com o irmão e recebeu o respaldo do Hospital Alberto Rassi e da equipe do Instituto de Desenvolvimento Tecnológico e Humano (Idtech) mesmo quando Márcio foi transferido para o Hospital das Queimaduras. “Hoje estamos aqui para agradecer a Deus para esta equipe que cuidou dele, desde as pessoas da limpeza até os médicos que fizeram as cirurgias dele”, declarou a educadora, que fez questão de voltar ao HGG com seus outros dois irmãos, Eveline e José Augusto, para agradecer a equipe.

Márcio estava com roupas protetoras para evitar infecção e exposição à luz. Seu rosto está recuperado, sem cicatrizes de queimaduras. Já a pele das costas, área mais queimada, está se recuperando com enxertos e pele artificial. “O tratamento de Márcio é difícil, doloroso e isso choca bastante a gente, porque sabemos que é um sofrimento grande nos momentos da fisioterapia e também na hora dos curativos. Mas, ele está vivo e estamos aqui para agradecer a todos e também a esse povo de Goiânia que o acolheu e acolheu nossa família. Somos muito gratos a todos”, disse José Augusto.

Quando os colaboradores do CTI viram Márcio no corredor, já ficaram emocionados e conversaram sobre o tempo em que ele esteve internado no HGG. “Falei muito no ouvido dele, que quando ele acordasse ele poderia voltar para a sua família”, disse a supervisora de enfermagem Cínthia Morais de Oliveira. Quando não estava sedado, Márcio até convidou as enfermeiras para conhecer sua casa e comer camarão. A iguaria foi, inclusive, o primeiro pedido do paciente quando acordou. “Poder ver o paciente que chegou extremamente grave, assim, andando e bem, é uma sensação de dever cumprido. Quando Márcio chegou, ele foi tratado como os outros pacientes, mas sua história foi especial, sempre acompanhamos seus avanços pela imprensa”, disse a enfermeira.

“Já fui a muitos lugares que as pessoas não dão a mínima para gente. Não tenho dúvidas se eu tivesse ido para outro hospital não teria a força para chegar até aqui. Meu aplauso a toda a equipe do HGG que não desistiu do meu irmão”, declarou Assunção, já aliviada e ansiosa para levar Márcio para casa. “Vamos voltar ao Maranhão e esse será o melhor presente de Dia das Mães para a nossa mãe: ver o seu filho vivo”, emociona-se.

Tratamento
Marcio Ronny passou por catorze procedimentos cirúrgicos, sendo os três primeiros no Hospital Alberto Rassi – HGG. De acordo com o coordenador técnico do Centro de Terapia Intensiva do Hospital Alberto Rassi – HGG, Marcelo Rabahi, o paciente, que atualmente faz tratamento no Hospital de Queimadura, ainda tem uma trajetória grande. “Ele já ultrapassou a fase crítica. A agilidade para o início do tratamento, a estabilização e a retirada da pele queimada foram alguns dos fatores para a recuperação bem sucedida. No CTI, tempo é vida”, declarou o médico.

Fonte: IDTECH






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