Goiânia, 27 de junho de 2017    




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(26/06/2014) Pessoas com Aids se emocionam com musical sobre Cazuza

Projeto Plateia Social realizado pelo Idtech comemorou seus dois anos em espetáculo no Teatro Rio Vermelho, com direito à confraternização no Castro’s Hotel, parceiro da iniciativa

“O meu prazer/Agora é risco de vida”, a frase é da música Ideologia de Cazuza, que foi escrita quando o cantor fazia tratamento da Aids, nos Estados Unidos. Este pode ser considerado um dos momentos mais emocionantes do espetáculo musical sobre a vida do cantor, apresentado no dia 14 de junho, no Teatro Rio Vermelho. Na plateia, um grupo levado pelo Instituto de Desenvolvimento Tecnológico e Humano (Idtech) se sentia especialmente feliz naquela noite, ao ver nos palcos um pouco da sua história de vida e um pouco da sua luta contra o preconceito e contra os efeitos do vírus HIV.

Há dois anos o Idtech promove o Projeto Plateia Social, que tem como objetivo a inclusão cultural e social em peças teatrais, shows musicais, exposições, cinema. Mas, neste período, a edição número 43 foi uma das mais tocantes. Logo na confraternização, os convidados do Condomínio Solidariedade, do Grupo Pela Vidda e Movimento IgualdAids (entidades de assistência às pessoas com Aids), ficaram entusiasmados com a recepção no Castro’s Hotel, parceiro da iniciativa. “Não acredito que estou no mesmo chão que pisaram os jogadores Neymar e Hulk”, disse Wislane Gonçalves da Silva empolgada com o hotel onde a seleção brasileira se hospedou em Goiânia.

Wislane não titubeou ao pedir para o pianista Clayton Kolling, que se apresenta nos sábados no Castro’s Hotel, a música do Roberto Carlos “Eu sei que vou te amar”. Amor é o que não faltou no momento de confraternização. “Fiquei encantada com o amor e a solidariedade que fomos recebidos, para mim isso foi muito marcante”, disse Danilse Oranha, que luta contra a Aids desde 1999, quando descobriu o vírus. “Somos muito marcados pelo preconceito. As pessoas não aprenderam a conviver com as diferenças”, desabafa ela, que sofre também pelo fato de ser travesti.

“Quando as pessoas se amam a fé aumenta e a dor diminui”, disse Danilse, que não teve o apoio da própria família quando morava em Belém (PA). Com depressão, veio para Goiânia e está morando provisoriamente no Condomínio Solidariedade. “Não tenho família aqui e na confraternização me senti como se tivesse uma”, emociona-se. Sobre o espetáculo teatral, disse que Cazuza foi um espelho para ela. “Ele mostrou a cara, enfrentou a doença e o preconceito diante de todo o Brasil. A peça mexeu muito com o emocional da gente”, considerou Danilse, que falou também pelo seu colega Marcelo Novaes, que também esteve no Projeto Plateia Social.

A enfermeira do Condomínio Solidariedade Camila Alves de Castro disse que o espetáculo tocou o coração dos participantes. “Foi uma grande experiência para eles e para mim como profissional. As pessoas acreditam que a Aids se pega só de abraçar, pegar na mão e isso fazem com que as pessoas com a doença sofram muito”, disse. O empresário Genuir Basso Júnior, responsável por levar Maria de Lourdes Ferreira Alves, que é cadeirante, também aprovou a iniciativa do Idtech em desenvolver o Plateia Social com o grupo. “Foi um prazer oportunizar a participação da Lourdes em um evento cultural”, disse ele, que é voluntário há pelo menos oito anos do Condomínio Solidariedade.

AZT
Os olhos azuis de Maria de Lourdes puderam depois de 14 anos ver um espetáculo teatral. Neste período, sua vida esteve cheia de idas e vindas dos hospitais. Mesmo com sua cadeira de rodas, não perdeu a força e a vontade de lutar em favor dos direitos das pessoas com Aids. “O que mais me choca é o preconceito e o descaso dos governantes”, avaliou. Ao assistir o musical, disse que além de fã, se identifica muito com o cantor, que acabou na cadeira de rodas por conta da doença. “Cazuza e eu vivemos numa época que o único medicamento contra a Aids era o AZT. Por isso, foi inevitável a perda dos movimentos. Tive uma convulsão e faltou oxigênio no cérebro”, contou.

No Castro’s Hotel, Maria de Lourdes pode rever um grande amigo, dos tempos que trabalhava na Organização das Voluntárias de Goiás (OVG), José Cláudio Romero, coordenador executivo do Idtech e idealizador do projeto Plateia Social. “Mesmo sabendo que eu tinha o vírus ele me contratou”, contou Maria de Lourdes. Assim como o coordenador, todos os colaboradores do Idtech que estavam pelo Projeto se emocionaram: Lili Moreira, Iris Bertoncini e Leonardo Cândido.

Para Maria de Lourdes, a noite de reencontro com a arte e com o amigo querido nunca será esquecida. “A lua é testemunha que foi maravilhoso”, declarou sob o luar daquele sábado de outono. Neste momento, chegou o ator Osmar Silveira, do musical “Cazuza pro Dia Nascer Feliz”, no qual todos os participantes fizeram questão de cumprimentar e tirar fotos. Ele recebeu a versão impressa do Projeto Plateia Social e elogiou a iniciativa. “Agradecemos muito a presença de todos e contarei para os demais artistas sobre o projeto de vocês”, despediu-se e todos ficaram em êxtase com toda a felicidade que o Plateia Social proporcionou.


Fonte: IDTECH






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