03/05/2021 - Ambulatório TX conclui 1º Grupo de Terapia Sexual para Mulheres Trans



Nove pacientes do programa destinado a travestis e transexuais participaram das sessões

O Ambulatório TX do Hospital Estadual Alberto Rassi – HGG encerrou, no dia 28 de abril, as atividades do 1º Grupo de Terapia Sexual para Mulheres Trans. Nove pacientes do ambulatório, que oferece atendimento médico e multidisciplinar a transexuais e travestis, participaram do grupo, que teve dez sessões. Um outro grupo, destinado a homens trans, deve se encerrar na próxima semana. Outras edições serão realizadas durante o ano.

De acordo com a psicóloga do ambulatório, Flávia Christine Bezerra do Nascimento, a ideia de criação do grupo se deu durante sessões individuais de terapia com as pacientes. Ela diz ainda que, durante as reuniões, foi percebido que as demandas são basicamente as mesmas das mulheres cis. “Foi constatada a demanda, tanto de meninos quanto de meninas, como a dificuldade de lidar com corpo e com o próprio sexo. A demanda das pacientes trans são as mesmas da demanda das mulheres cis. Desejo sexual diminuído, a percepção de que os parceiros interessados em sexo e não em afeto, entre outros. As meninas associavam isso à questão da transexualidade e a gente começou a trabalhar isso.” O resultado, diz a psicóloga, foi perceptivo tanta na imagem corporal, a mudança da própria percepção sobre a autoimagem delas e o empoderamento que elas conquistaram. A ideia, segundo ela, é a criação de um grupo misto de mulheres cis e trans para o próximo ano.

A percepção de Flávia Christine é corroborada pelo depoimento das participantes. Sabrina Ribeiro Gomes, de 21 anos, disse que passou a se aceitar mais após as sessões. “Nesse curso aprendi a ter mais amor próprio, entender que sexualidade não é só penetração, só o ato sexual. Aprendi a me amar mais, a tocar mais meu corpo, além de me aceitar mais. Aprendi a conviver em sociedade, me senti acolhida. Está sendo maravilhoso isso aqui.” Questionada sobre qual palavra resumia a experiência, ela citou que se sentia renovada.

Já para Telma Gouveia da Silva, de 31, a palavra é “gratidão”. “É só gratidão por tudo. Entrei com o pensamento sobre o que seria de mim. Hoje saio como uma mulher realizada, uma mulher trans com amor próprio. Sempre tive amor próprio, mas saio mais confiante. Eu me sinto outra pessoa. Aprendi muito com minhas colegas desse encontro que a gente está fazendo. Aprendi e elas também aprenderam comigo. Então é muita gratidão.”

Maria Eduarda Barros de Brito, de 27, relata que também aprendeu muito sobre si mesma. “Aprendi a me conhecer melhor, até nos mínimos detalhes. Aprendi a me amar, não só como uma mulher trans, mas como ser humano. É uma nova pessoa que sai daqui, na maturidade, na experiência com as outras colegas. O que mais me tocou foi me conhecer de verdade, na minha essência.” Ela diz que, com isso, descobriu que o preconceito não parte apenas dos outros. “A gente sempre tem a ideia de que as pessoas são preconceituosas porque não nos aceitam, quando na verdade, muitas vezes, a gente tem esse preconceito de nos olhar e não nos aceitar como somos. Então, esse tabu foi um dos que eu quebrei. De olhar para mim e me aceitar como mulher trans.”




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