Inspetores da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) realizaram, na última quarta-feira, 27, uma inspeção de proteção física no aparelho irradiador de sangue do Hemocentro Coordenador Estadual de Goiás Prof. Nion Albernaz - Hemogo. O equipamento é utilizado para inativar as células do sistema imunitário presentes em componentes sanguíneos, como leucócitos e linfócitos. O aparelho expõe o sangue à radiação, o que garante a segurança das transfusões e evita problemas para pacientes imunodeprimidos, transplantados, recém-nascidos de baixo peso e pessoas com câncer. A visita teve como objetivo avaliar e reforçar os procedimentos de segurança ligados à operação da máquina.
A diretora técnica da Rede Estadual de Serviços Hemoterápicos - Rede Hemo, Ana Cristina Novais Mendes, explica que o aparelho irradiador de células “é necessário na rotina hemoterápica”. Segundo ela, a máquina consegue inativar os linfócitos que ainda podem estar presentes nas hemácias, evitando qualquer tipo de reação de rejeição do material doado/recebido. “No Brasil, temos, em média, 40 aparelhos desse tipo em funcionamento, e em Goiânia, são apenas dois”, resumiu a importância do equipamento.
“A CNEN é um órgão que não apenas dá o aval para o funcionamento de aparelhos dessa natureza, mas também orienta sobre como aprimorar a proteção necessária”, disse Ana Paula Faleiro, gerente de distribuição da Rede Hemo. Ela explica que existem dois módulos principais de segurança para o aparelho irradiador, um ligado à proteção radiológica e outro à física. Nessa visita, os mecanismos físicos de segurança estão em foco.
Espaço de acesso controlado, monitoramento constante por câmeras e alarme, exigência de cadastro biométrico, barreiras físicas e presença de equipe de vigilância 24 horas são alguns dos mecanismos físicos de segurança já adotados.
“Nós precisamos fiscalizar a área controlada, o controle de acessos dos doadores e funcionários, e ver os mecanismos nas instalações para inviabilizar acesso inadvertido”, explicou Alexandre Roza de Lima, um dos inspetores da CNEN, durante a reunião com a equipe do Hemocentro. Ele relembra que os protocolos de segurança nas áreas nuclear e radiológica, foram reforçados após o acidente radiológico de Goiânia, em 1987, tornando os mecanismos brasileiros um dos mais rígidos do mundo.