O doador com sangue raro Rodrigo Vieira da Silva, de 34 anos, retornou ao Hemocentro Coordenador Estadual Prof. Nion Albernaz (Hemogo) na manhã deste sábado, 28 de fevereiro, para realizar mais uma doação direcionada a uma paciente oncológica renal do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Goiás (HC-UFG), que tem o mesmo tipo sanguíneo que ele. A fenotipagem cellano negativo, compartilhada entre os dois, é extremamente rara, sendo Rodrigo o único doador registrado no banco de dados de todo o estado de Goiás.
“Eu descobri no dia 3 de dezembro do ano passado que eu sou cellano negativo, e desde então, venho fazer as doações direcionadas a essa paciente que tem o mesmo tipo que eu”, compartilhou Rodrigo, que veio de Orizona, no interior de Goiás, para realizar a ação solidária. Ele mostra consciência sobre a importância da sua ação, destacando possíveis atrasos no tratamento da paciente, caso se negasse a doar.
A última doação de Rodrigo aconteceu ainda em dezembro de 2025 e, respeitando os intervalos fixados para repetir o procedimento, realizou nova coleta neste sábado, 28 de fevereiro. Ao perceber a importância da sua doação, Rodrigo reforça o convite: “É muito importante que mais doadores venham até o Hemocentro para, no momento da doação, fazer os exames e talvez encontrar mais doadores de tipos raros e ajudar quem está mais necessitado”.
Sangue raro
Para ser classificado como raro, o tipo sanguíneo específico deve ter incidência de um a cada 1000 pessoas (a depender do caso, essa taxa pode ser menor ainda), e, como os testes para identificação desse fenótipo não ocorrem em toda doação, o rastreio desses indivíduos se apresenta como um desafio em alguns contextos.
A hematologista Maria Amorelli explica que o sangue de Rodrigo é considerado raro pois nele não existe uma proteína que a maioria das pessoas têm, a cellano, por isso o sangue cellano negativo. Na prática, isso não faz diferença na vida de Rodrigo, entretanto, pessoas desse tipo sanguíneo que recebem transfusões recorrentes podem desenvolver anticorpos que vão combater essa proteína cellano, ou seja, ela pode desenvolver reações adversas ao receber um sangue que contenha essa proteína. “Justamente por isso que os doadores de sangue raro conseguem ajudar e muito essas pessoas que estão doentes, recebendo com repetição essas transfusões de sangue”, concluiu.