27/09/2019 - Jornalista desmistifica tabu sobre suicídio



Cleisla Garcia realizou palestra no HGG para estudantes e profissionais de comunicação

A abordagem sobre suicídio foi o tema da palestra “Vamos Falar Sobre Suicídio”, da jornalista e escritora goiana Cleisla Garcia, que compõe o núcleo de reportagens especiais da Record TV nacional. O evento, realizado pela Secretaria de Estado de Saúde, no dia 14 de setembro, ocorreu no Hospital Estadual Alberto Rassi – HGG e contou com apresentações de representantes da SES e do Centro de Valorização da Vida (CVV).

Durante o evento, que teve como público alvo jornalistas e estudantes de jornalismo, Cleisla falou sobre a abordagem do tema na imprensa, considerado polêmico devido à delicadeza do assunto. Citando sua experiência em reportagens que trataram, por exemplo, do polêmico caso da Baleia Azul, e de seu livro sobre o assunto (Sobre Viver), ela desmitificou a ideia de que relatar casos pode incentivar outras pessoas a cometerem o suicídio. “Em 2017, minha emissora de televisão teve a ideia fazer uma série sobre suicídio (Suicídio – Alerta aos jovens). Quando eu cheguei na redação e ouvi a palavra ‘suicídio’, do mesmo jeito que eu cheguei, eu voltei, porque tudo o que eu não queria na minha vida era fazer uma série sobre o assunto. Eu cresci, me tornei jornalista e fiquei 25 anos da minha vida fazendo a mesma coisa, ouvindo o mesmo discurso: ‘Falar sobre suicídio gera suicídio’. E eu disse para meu chefe que não queria fazer essa pauta, mas jornalistas não fazem o que querem.”

“Me disseram que precisava de um repórter com certa sensibilidade para fazer a série. E o que eles alegaram me estimulou e me convenceu parcialmente. O que eles disseram foi que o objetivo era fazer uma série obedecendo com rigor a todas as indicações médicas.” O resultado, pontua a jornalista, foi um choque em relação ao que pensava sobre o assunto e sua responsabilidade em divulgar o tema. “Essa série foi para o ar. Foi uma série revolucionária. Eu tenho que confessar a vocês que ela não descumpriu nenhuma regra estabelecida. E não é fácil, porque era uma hora de edição, não podia mostrar métodos, não podia mostrar as vítimas. Mostramos áudios dos pais, mas com os nomes falsos.”

Após a série, Cleisla diz que não conseguiu se desligar do tema, principalmente por causa das informações coletadas e de sua missão como jornalista, o que a fez atuar com mestres e doutores que estudaram o assunto. “Depois dessa série, eu continuei a tratar de todos esses assuntos. Não consegui parar de pensar sobre isso, porque descobri coisas que não sabia. A cada quarenta segundos uma pessoa vai conseguir se matar. Nesse momento eu fiquei tão indignada. Onde eu estava enquanto jornalista que eu não sabia disso?” , destacou.





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