12/11/2019 - V Jornada de Cuidados Paliativos do HGG acontece nesta quarta-feira, 13 de novembro



Evento será realizado no auditório da unidade, a partir das 8h30

O Núcleo de Apoio ao Paciente Paliativo (NAPP) do Hospital Estadual Alberto Rassi – HGG promove nesta quarta-feira, 13 de novembro, a V Jornada de Cuidados Paliativos. A abertura do evento, que nesta edição traz o tema “Reconectando com o sentido da vida”, acontece às 8h30 no auditório da unidade com a apresentação da musicoterapeuta Elvira Alves dos Santos e com a palestra da cordenadora do NAPP, Ana Maria Porto Carvas. A data escolhida comemora três anos da ala de Cuidados Paliativos do HGG, pioneira para pacientes crônicos em Goiás.

Entre os temas que serão abordados estão: a construção da linha da vida; sentidos e significados da alimentação em cuidados paliativos (comfort food); ressignificando o que importa; estratégias de enfrentamento diante do sofrimento; o paciente como professor; plano avançado de cuidados no fim de vida e o sentido da vida.

Sobre o NAPP

O paciente, entubado e com uma doença sem cura, respira com a ajuda de aparelhos em um leito de UTI. Do lado de fora, a família, apreensiva, aguarda por notícias, temendo a pior e mais provável delas. Uma mistura de ansiedade, tristeza e medo. A cena, comum na maioria dos hospitais, é a antítese do que prega o Núcleo de Apoio ao Paciente Paliativo do HGG, que está completando três anos e já atendeu mias de 1200 pacientes. A ideia é que, se a morte é um caminho sem volta, que ela ocorra da melhor forma possível e sem sofrimento, fazendo muitas vezes que ela seja retardada, mas de maneira natural, sem formas artificiais só para manter o paciente com vida. “O objetivo é atender a esses pacientes que têm doenças crônicas, incuráveis, graves. Muitas vezes nos sintomas que têm um controle, que merecem uma atenção especial, além das famílias que estão em grande sofrimento. Então o Núcleo tem por objetivo acolher, cuidar de famílias e pacientes que estão com doenças graves”, sintetiza a coordenadora do NAPP, Ana Maria Porto Carvas.

Para isso, diz Ana Maria, é preciso trabalhar com sinceridade e a equipe multidisciplinar que atua para isso deve estar apta não somente a falar, mas também a ouvir. “Quando eu falo de morte, falo da doença grave, de como ela vai evoluir, eu estou dando a chance de as pessoas entenderem, das pessoas se posicionarem, porque nem sempre a pessoa quer viver a vida que seu familiar acha que é boa. Então, a gente pergunta para uma pessoa, que está na cama, com uma sequela neurológica, por exemplo, comendo por uma sonda, respirando por um cateter, se ela quer viver essa vida. Será que a gente se põe nesse lugar? Então a gente vai falar mais sobre essas coisas, sobre essas doenças e ouvir (o paciente e a família).”

E isso muitas vezes vai contra a própria formação dada aos profissionais de saúde. “Muitas vezes, nós profissionais de saúde não entendemos a morte, não aceitamos a morte, entendemos que a morte é um fracasso e que não fomos formados para isso. Então eu vou lutar contra a morte e vou sofrer porque ela vai ganhar de mim em algum momento e eu vou sofrer. E essas famílias vão sofrer junto comigo. Então basicamente é isso.”

Ala exclusiva completa três anos
Completando três anos da criação da ala específica para atendimento destes pacientes no HGG, Ana Maria diz que a ideia se deu quando o Projeto Terapêutico Singular, uma equipe multidisciplinar que atendia pacientes nessa situação, percebeu a quantidade de pessoas que tinham uma hospitalização prolongada, com múltiplas doenças, que muitas vezes não tinham indicação de estar recebendo medidas ativas, mas estavam entubadas na UTI e recebiam medidas que não eram apropriadas, por não resolver os problemas em si. Tais pacientes poderiam estar em casa, recebendo atendimento dos próprios familiares, ou em uma ala própria do hospital. “A primeira ação foi conversar com a família. Para que houvesse o entendimento da doença, da incurabilidade, da necessidade de cuidados. Muitas vezes o paciente pode e deve ser cuidado em casa, mas a família tem medo. Muitas vezes não só porque ela não tem condição financeira. Às vezes porque ela não tem nenhum conhecimento de como fazer isso.” Com o conhecimento, os familiares adquirem segurança. “Na medida que a equipe entrou informando esses familiares, os capacitando, dando segurança a eles - até porque um dos grandes diferenciais que a gente tem é a possibilidade do paciente voltar a ser internado aqui na ala, quando necessita, por algum tipo de descompensação - foi trazendo para a família um empoderamento que elas não tinham, melhorando a ansiedade que elas viviam e a gente foi trazendo para aquele paciente um olhar diferenciado.”

A ideia de que cuidados paliativos estão necessariamente ligada à morte iminente é outro ponto visto de forma errada, segundo a médica. Nestes quatro anos de NAPP, foram registradas 434 altas e 433 óbitos de pacientes que passaram pela ala. “Quando a gente olha o número de internações, olhando os óbitos e as altas, por ano, a gente tem praticamente um número equilibrado, de altas e óbitos, o que muitas vezes as pessoas estranham, porque se é cuidado paliativo, se tem a ideia de que se está morrendo, então iria morrer todo mundo. Não, a gente tem muitas altas. A gente tem muitos pacientes que vão e voltam, voltam só para controle de sintomas e retornam para as suas casas. Esses pacientes não retornam para a UTI, não recebem nenhum dispositivo de suporte avançado que prolongue vida. O que prolonga a vida é o cuidado, o controle de sintomas, é o cuidado que a gente chama de cuidado proporcional, aquilo que está indicado para aquele paciente naquele momento.”

Tratamento psicológico

Além de questões práticas ligadas aos procedimentos médicos, o Núcleo trabalha ainda com a parte psicológica e espiritual do paciente, da família e até mesmo da própria equipe que cuida do paciente, tanto no caso de tratar da questão da doença incurável quanto da morte. “Eu não vou ficar preso só nesse paciente, porque o paciente está indo embora, mas a família vai ficar, e ela vai ficar com o luto. E esse luto pode ser patológico, pode desenvolver de uma forma muito mais adoecida. E assim como pode ficar o luto para a equipe que cuidou daquele paciente, que criou um vínculo, às vezes por identificações, por transferências, e por aí vai. Então dentro da proposta de cuidados paliativos nós temos um olhar ampliado, um olhar para o paciente, para a família e também para a equipe,” diz o psicólogo Dimilson Vasconcelos Bezerra. No caso do paciente em estágio terminal, o objetivo, ressalta ele, é promover um processo tranquilo. “O que posso te dizer é que essas pessoas passaram a morrer de uma forma melhor, mais digna, com mais atendimento, assistência, controle dos sintomas.”


Serviço:
V Jornada de Cuidados Paliativos do HGG
Data: quarta-feira, 13 de novembro
Horário: de 8h às 18h
Local: Auditório do HGG




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