21/11/2019 - V Jornada de Cuidados Paliativos do HGG aborda reconexão com o sentido da vida



Evento aconteceu no Auditório dr. Luiz Rassi e reuniu diversos profissionais

Em comemoração aos três anos de inauguração da Ala de Cuidados Paliativos, o Núcleo de Apoio ao Paciente Paliativo (NAPP) do Hospital Estadual Alberto Rassi – HGG promoveu no dia 13 de novembro, a V Jornada de Cuidados Paliativos. O evento aconteceu no Auditório dr. Luiz Rassi, no quinto andar do hospital, e reuniu profissionais de diversas especialidades. Com o tema “Reconectando com o sentido da vida”, o público teve a oportunidade de conferir uma abordagem multidisciplinar.

Na abertura do evento, o diretor técnico do hospital, Durval Pedroso, explicou que o hospital tem no seu princípio de atendimento, além da qualidade e segurança, a humanização. “E esse é o foco que devemos sempre ter com os nossos pacientes, que muitas vezes não têm perspectivas para tratamentos de cura, mas devem ser sempre acolhidos e respeitados com dignidade ao fim da vida. E as famílias também, durante e após esse processo. O HGG tem um serviço ímpar, multidisciplinar, em que todas as especialidades médicas e afins se comunicam de forma adequada, homogênea, e o hospital já tem imbuído dentro dele a cultura que determinados pacientes não se beneficiam mais do tratamento ortodoxo e que eles precisam ser tratados de forma diferente”.

Durval explicou ainda sobre o processo de criação de uma ala específica para cuidados paliativos. “Quase tudo a gente pode mensurar nessa vida, e quando houve a proposta dessa ala de cuidados paliativos, havia-se um questionamento do ponto de vista de gestão de saúde pública, que é a necessidade de maior números de leitos de UTI. E nós conseguimos provar que não era necessário mais UTIs, era necessário uma unidade que recebesse pacientes com prioridades de internação diferente daquelas de que se necessitam de terapia intensiva. Com a criação da ala, não se criaram apenas 10 leitos, se criaram 18 leitos porque pela redução da permanência desses pacientes em terapia intensiva, criaram-se 8 leitos virtuais. Fora algo que é imensurável, que é o acolhimento humano e tratamento a esses pacientes e familiares. Então os cuidados paliativos não só uma necessidade de saúde e humanidade, mas sim condição de saúde pública”.

A coordenadora do NAPP, Ana Maria Porto Carvas, fez um balanço de todas as jornadas. “Desde que esse Núcleo surgiu, em 2014, nós tivemos todo o apoio, embora a gente não soubesse aonde iríamos chegar, a gente já sabia o que queria fazer. Tivemos todo o apoio da instituição, da organização social e dos nossos diretores. E hoje a gente tem uma cultura dentro da instituição do conforto, desse olhar humanizado, mesmo dentro da UTI, que é um lugar que a gente chega com receio. Estamos na quinta jornada, já passamos por uma primeira jornada muito tímida em que a gente queria falar muita coisa, como hipodermóclise, controle de sintomas, e desde então a gente veio trilhando, e chegamos hoje nesse auditório grande. É como diz a música, nada muda se a gente não mudar. A gente traz essa quinta jornada para fazer com que a gente se entregue, para vivenciar esse bem tão grandioso que nos foi dado, que é a vida. E é partir dessa reconexão que a gente pode estar do lado do outro, fazendo que esse outro se sinta então abraçado, acolhido. E ele possa realmente ter aquilo que a gente tanto fala: dignidade, conforto. É preciso que a gente esteja com a escuta aberta, com o coração aberto para a gente se reconectar”.

Durante a programação, a nutricionista Kamila Barros e a fonoaudióloga Cândida Queiroz explicaram sobre os sentidos e significados da alimentação em cuidados paliativos (confort food). Os psicólogos Dimilson Vasconcelos e Letícia Rodrigues abordaram sobre estratégias de enfrentamento diante do sofrimento. A arteterapeuta da Universidade Federal de Goiás (UFG), Leila Magre, coordenou a atividade “Ressignificando o que importa”. A médica geriatra Eliza de Oliveira Borges abordou o assunto “O paciente como professor” e na ocasião, realizou uma entrevista com uma paciente em cuidados paliativos.

O médico geriatra Ricardo Borges, que atua no Hospital das Clínicas da UFG, e também na Faculdade de Ciências Médicas e da Saúde de Juiz de Fora (SUPREMA) comandou um debate sobre plano avançado de cuidados no fim de vida. A médica especialista em Medicina da Família e Comunidade e Atuação em Cuidados Paliativos, Érika Lara, finalizou a Jornada com a palestra que teve como tema “O Sentido da Vida”.

A psicóloga Josenilda de Castro e Carmo trabalha no Hospital de Urgências de Goiânia e elogiou o evento. “Gostei muito da jornada e da forma como vocês (a organização) foram acolhedores. Trouxe a gente para dentro do tema com estratégias para o nosso autocuidado. Isso foi muito relevante pra mim, para a minha experiência também. Trabalho no Hugo há cinco anos e os cuidados paliativos têm acontecido, mas não de forma estruturada como no HGG. São eleitos junto a geriatria e com a equipe da clínica medica, alguns pacientes para cuidados paliativos”, disse. Hayane Fradique também participou e aprovou os temas abordados. “Achei a jornada fantástica. Fiquei sensibilizada com toda dinâmica humanizada. Eu posso dizer que até hoje foi a melhor jornada de cuidados paliativos que participei”.





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