14/05/2020 - Em meio à pandemia de Covid19, transplantes não param no HGG em Goiânia



Números mostram que mesmo com a doença do portão para fora do hospital, os transplantes aumentaram nos meses de março e abril na unidade de saúde

O relógio marcava 17h30 da tarde do sábado, 9 de maio, e uma força-tarefa era montada para que mais uma vida pudesse ser salva. Em Anápolis, uma equipe médica da Central de Transplantes da Secretaria de Estado da Saúde (SES) iniciava o processo de captação de um fígado para a realização do transplante. No Hospital Estadual Alberto Rassi - HGG, em Goiânia, a paciente Zilda Vitória, 53 anos, com um quadro de hepatite fulminante já começava a ser preparada para receber o órgão. Natural de Itumbiara, Zilda estava há uma semana no HGG e só um transplante poderia salvá-la. Ela foi uma das 29 transplantadas nos últimos dois meses na unidade.

A pandemia mudou a rotina do hospital. Na sala de espera não havia ninguém da família aguardando o final da cirurgia, que tinha previsão de durar mais de oito horas. No Centro Cirúrgico, os cuidados foram redobrados para que o transplante fosse realizado. Um a um, mais de dez profissionais liderados pelo médico transplantador Claudemiro Quireze Júnior se reuniram para o início da cirurgia. "Quando o paciente entra em um quadro de insuficiência hepática, não existe nenhuma máquina que substitua o fígado. Ele precisa de um transplante ou pode vir a óbito". A cirurgia seguiu madrugada adentro.

Na enfermaria do HGG, José Luiz Pereira, 54 anos, já está em recuperação. O morador de Anápolis passou por um transplante de rim no dia 1º de maio. Ele conta que em dois meses entrou na fila, fez os exames e passou pela cirurgia. "Eu tinha muito medo do pós-operatório, mas vários amigos foram fazendo o transplante aqui no HGG, se recuperando e fui ficando confiante. Agora estou aqui também e, graças a Deus, deu tudo certo e logo vou estar em casa", diz.

Pionerismo
O Serviço de Transplantes de Fígado do HGG teve início em 2018 e é chefiado desde então pelo médico Claudemiro Quireze Júnior. O hospital é a única unidade de saúde a fazer esse tipo de procedimento em Goiás e já contabiliza 13 transplantes. "Essa é a maior cirurgia do corpo humano, e vem sendo estudada desde 1963. Temos orgulho de sermos pioneiros aqui em Goiás". Segundo o médico, com a pandemia, todos os doadores e receptores passaram a ser testados para Covid-19, e medidas de segurança foram ampliadas na unidade de saúde.

O HGG é referência também no Serviço de Transplante Renal. Implantado no ano de 2017, a unidade de saúde já realizou 436 procedimentos desde então, se tornando o maior hospital transplantador de rim do Centro-Oeste brasileiro, levando Goiás a ser o décimo estado em número desse tipo de procedimento no país, segundo dados do Registro Brasileiro de Transplantes (RBT).

O secretário estadual da Saúde, Ismael Alexandrino, explica que, após a divulgação da Nota Técnica Nº34/2020 emitida pela Coordenação Nacional de Transplantes do Ministério da Saúde, o Governo de Goiás decidiu pela manutenção do serviço de transplantes no HGG. "O entendimento é que realizar o transplante renal e liberar o paciente da hemodiálise, por exemplo, é mais vantajoso do que danoso neste momento, já que eles são submetidos três vezes por semana a ambientes fechados, que têm maiores índices de contaminação, maior contato com várias outras pessoas e têm o risco aumentado de infecção e outras complicações. O mesmo vale para outros tipos de transplante. O paciente pode ou não fazer o procedimento, após avaliação da gravidade do caso", afirma.

O diretor-técnico do HGG, Durval Pedroso, destaca que em 2019, nos meses de março e abril, foram realizados 26 transplantes. Neste mesmo período em 2020, em plena pandemia, esse número subiu para 29 transplantes. "É importante dar andamento a esses atendimentos para que quem está na fila de espera não seja ainda mais prejudicado por demora ou atraso na realização do transplante por conta da pandemia. Cada caso é avaliado individualmente de forma que o paciente tenha o tratamento mais adequado."

Durval explica que desde o anúncio da propagação da transmissão comunitária do coronavírus, o HGG tomou todas as medidas voltadas para a admissão de pacientes. "Existe um sistema de triagem para admissão de pacientes, no qual os mesmos são avaliados e submetidos a tomografias de tórax, a exames laboratoriais e diante da mínima suspeita são isolados respiratoriamente até que se tenha um diagnóstico". Segundo ele, os pacientes fortemente suspeitos não são atendidos no HGG, e sim, encaminhados às unidades dedicadas ao atendimento de Covid-19.

O HGG segue trabalhando para que novas histórias possam ser escritas como a Zilda, de Itumbiara, e do José Luiz, de Anápolis, e de tantos outros goianos que já passaram por aqui. A doação é um ato de consciência e amor ao próximo, e várias vidas podem ser salvas por meio desse gesto.




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