29/05/2020 - Dia Mundial Sem Tabaco enfatiza riscos causados pelo fumo e a Covid-19



Coordenador do CTI do HGG e pneumologista Marcelo Rabahi explica que cigarro é um fator de gravidade no combate à doença

O Dia Mundial Sem Tabaco, celebrado em 31 de maio, foi criado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) com o objetivo de conscientizar a população sobre as doenças e mortes evitáveis relacionadas ao consumo de tabaco. Em 2020, o tema é "Tabagismo e risco potencial para a Covid-19" com o foco voltado para os jovens e alerta sobre os agravantes do tabagismo frente ao novo coronavírus.

De acordo com o coordenador Centro de Terapia Intensiva (CTI) do Hospital Estadual Alberto Rassi - HGG e médico pneumologista, Marcelo Rabahi, o risco de adoecimento pela Covid-19 para os fumantes é maior do que para o restante da população. "A fumaça do cigarro inibe a função dos cílios, que são pequenas vassourinhas que funcionam como a limpeza do nosso sistema respiratório, diminuindo assim parte da defesa do organismo", afirma o médico.

Marcelo ressalta que o cigarro atua como um fator de gravidade no combate ao coronavírus. "Existem alguns estudos, mesmo antes da Covid-19, em relação a interferência que o cigarro provoca na resposta celular, e essa resposta está relacionada à capacidade de defesa aos vírus. Dessa forma entende-se que o fato de fumar diminui a resposta do organismo em combater os vírus, inclusive o coronavírus".

Além de aumentar o risco de adoecimento pela Covid-19, o tabagismo também desencadeia outras consequências no organismo do fumante. Rabahi comenta que o cigarro causa lesões no aparelho respiratório por ação direta da fumaça nas células, e essas células vão produzindo secreção. Essa produção excessiva vai obstruindo os brônquios, além de destruir algumas enzimas reparadoras. "A soma dessas duas coisas dá a bronquite crônica e o enfisema pulmonar, que estão entre as principais causas de doenças relacionadas ao cigarro. Também existe uma alteração nos vasos e com isso desenvolve o processo de aterosclerose, muito relacionado as doenças cardiovasculares como hipertensão, coronariopatia, outras doenças como AVC", comenta.

Segundo o médico, o cigarro altera cronicamente as células com a transformação do seu material, inclusive o material genético dentro delas. Rabahi explica que elas começam a ter um crescimento desordenado e muitas delas podem, nesse crescimento desordenado, desenvolver e estimular o crescimento de células tumorais e cancerígenas.

Mas não é só o cigarro convencional que é nocivo à saúde. O narguilé e o cigarro eletrônico causam diversos males. Marcelo Rabahi explica que a ideia de que o narguilé é um fumo recreativo e que o cigarro eletrônico não faz mal, é um grande engano. "As pessoas que usam o narguilé estão inalando uma grande carga de fumaça e junto vão um monte de partículas que são nocivas ao pulmão causando bronquite crônica, enfisema e câncer. Já o cigarro eletrônico causa uma queimadura interna nas células do pulmão e isso vai lesando o órgão progressivamente", comenta.

Como o momento atual fez com que a população mudasse diversos hábitos, Rabahi enfatiza que para o fumante talvez esse seja um período oportuno para deixar de fumar. "Estamos num momento de ansiedade. Se o fumante aumentar o consumo de tabaco, vai criar a falsa percepção de que, no início, ele pode abrandar os episódios de ansiedade. Entretanto, o cigarro causa ainda mais dependência e cada vez mais os fumantes precisam de mais cigarro para atingir aquele falso controle da ansiedade", finaliza o médico.



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