25/01/2021 - HGG implanta Programa de Prevenção de Suicídio de Paciente Internado



Hospital realizou mais de 6 mil atendimentos em saúde mental em 2020 e treinou equipe de profissionais da unidade

Referência no tratamento de uma série de doenças, o Hospital Estadual Alberto Rassi – HGG atende 36 especialidades, entre elas psicologia e psiquiatria, que juntas ofertaram 6.084 atendimentos em 2020. O serviço de saúde mental foi implantado no HGG em 2014 e de lá para cá já soma mais de 40 mil atendimentos. No último o ano, seguindo Nota Técnica 09/2020, publicada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o hospital também implantou o Programa de Prevenção de Suicídio de Paciente Internado, conforme orientação da Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES-GO).

Para o médico psiquiatra e neurologista do HGG, Leonardo Prestes, o programa é fundamental por diversos aspectos. Além de ajudar e muito na prevenção do suicídio, os profissionais que foram treinados no HGG, poderão levar esses conhecimentos para outras unidades de saúde que atuam. "Por mais que a porcentagem de suicídios durante a internação seja pequena, estudos reforçam a importância da criação de um ambiente seguro e que saiba identificar os riscos, e nós temos que lembrar que o paciente psiquiátrico também se interna e precisa de atendimento", destaca.

Leonardo usa como exemplo o quanto uma internação para pacientes com dependência química, que levam a um período de abstinência, demanda atenção de toda a equipe médica. "Durante esse período de abstinência o paciente pode ter delírios, crises de agressividade, alucinações e isso pode fazer com que ele faça mal a si mesmo ou contra os outros que estão à sua volta. Por isso, toda a equipe precisa estar atenta para, ao menor sinal de mudança de comportamento, intervirmos, mesmo que não seja o paciente, pode ser também o acompanhante", afirma.

Treinamento
Cerca de 60 colaboradores integrantes das equipes de enfermagem do HGG participaram do treinamento para atuarem no Programa de Prevenção de Suicídio de Paciente Internado na unidade. Segundo a gerente de Educação Continuada do HGG, Wagna Teixeira, o hospital está seguindo um protocolo do Ministério da Saúde, que prevê um aumento de casos de tentativa de suicídio devido à pandemia de covid-19. "O protocolo do Ministério da Saúde (MS) e este programa vêm justamente para nos alertar que esses pacientes estão vindo e vão chegar em uma quantidade muito maior, por isso, precisamos ficar com a luzinha ligada."

Saúde mental
De acordo com a Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS) a Saúde Mental é determinada por uma série de fatores socioeconômicos, biológicos, espirituais e ambientais. Prestes lembra que sempre que há situações de crise econômica, más condições de trabalho, discriminação de gênero, exclusão social, violência, entre outros, aumenta-se o risco de uma pessoa desenvolver doenças mentais. "A pandemia, por exemplo, evidenciou essa necessidade de buscar ajuda profissional. É comum ficarmos tristes diante da perda de um familiar, do desemprego, de ver tantas pessoas adoecendo e ficando tão mal por todo o mundo, mas se esse sentimento se prolonga, é fundamental que diante de qualquer suspeita, a pessoa procure atendimento especializado com um psiquiatra ou um psicológico", afirma.

O médico alerta que muitos casos de transtornos de ansiedade contribuem para a depressão. "Estamos vivendo um período e que as ansiedades estão cada vez piores, e isso aumenta o risco de depressão, que sem tratamento adequado, as chances de evoluir para uma tentativa de suicídio é muito maior, e ela não pode ser desprezada", frisa. Existem também fatores psicológicos e de personalidade que tornam as pessoas mais vulneráveis aos transtornos mentais, além das causas biológicas e predisposições genéticas.

Segundo dados da OMS, o Brasil é o país com a maior prevalência de depressão da América Latina. Um levantamento realizado em 2017 mostra que 5,8% da população sofre dessa doença. "É preocupante o aumento das taxas de ansiedade, depressão e suicídio na população brasileira. Especialmente entre os jovens, o suicídio já é a segunda principal causa de morte entre jovens com idade entre 15 e 29 anos no mundo", afirma o médico.

"A pandemia teve um imenso impacto na vida de todos, inclusive, na dos profissionais de saúde, que estão trabalhando mais horas do que nunca e arriscando suas próprias vidas". Atentos a essa questão o HGG também implantou um serviço de assistência psicológica aos colaboradores da unidade.



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