02/02/2021 - Universo transexual é discutido em webinar do HGG



Ação fez parte das comemorações do Dia da Visibilidade Trans. Hospital conta com ambulatório próprio para população transexuais

A importância do processo transexualizador, suas especificidades e a busca por um lugar na sociedade foram os temas discutidos no webinar Dia da Visibilidade Trans – Pelo Direito à Identidade, realizado pelo Hospital Estadual Alberto Rassi – HGG, em parceria com a Secretaria de Estado da Saúde (SES) no dia 29 de janeiro. Participaram do evento a coordenadora do Ambulatório TX, projeto do hospital para pacientes transexuais, a ginecologista Margareth Giglio; a Miss Centro Goiano Rayka Vieira; o personal trainer e paciente do ambulatório Caleb Costa; Bianca Lopes, da Subcoordenação de Atenção à Saúde da População LGBTI da SES, além de pacientes e representantes de grupos que discutem o tema. O webinar está disponível na página do Idtech no YouTube (https://www.youtube.com/user/idtechgoias).

Durante o evento, Margareth expôs as ações e os serviços do ambulatório, que conta com uma equipe multidisciplinar e atende atualmente 260 pacientes. Ela ressaltou ainda a importância dos atendimentos psicológico e psiquiátrico, as primeiras etapas do processo após a primeira consulta, realizada pela própria Margareth. “Esses são pilares muito importantes desse processo. É preciso ter uma certa frequência na psicologia para que possa dar uma assistência a esse processo transexualizador de uma forma mais individualizada. E, a partir daí, ele é então encaminhado ao ambulatório. Nós vamos fazer nesse ambulatório a terapia hormonal, o pré e o pós-operatório daqueles pacientes que se interessarem em fazer o procedimento cirúrgico. E a gente vai ver que muitos não têm essa demanda em relação à cirurgia,” comenta.

Já Caleb falou sobre sua experiência dentro do hospital, que foi, inclusive, onde sua mãe deu à luz. “Falar do HGG é falar da minha história. Nasci pela maternidade do HGG e nunca passou pela minha cabeça estar ‘reexistindo’ por causa de trabalho dessa equipe. A primeira vez que ouvi meu nome social foi na recepção do HGG. Fiquei muito contente. Me senti muito acolhido.” Ele completa falando da importância da interação que teve dentro do ambulatório. “Neste Dia da Visibilidade Trans temos muitos desafios pela frente. Dentro dos corredores do HGG foi onde vi as primeiras pessoas trans e podemos trocar experiências com amigos meus que estão aqui hoje. Essa troca é muito válida, nos enriquece. Nós existimos sim e temos que ocupar nossos espaços.”

Caleb refutou ainda a ideia de que eles estejam mutilando seus corpos, como muitas pessoas apontam. “Muitas pessoas acham que a gente está mutilando os nossos corpos, maltratando, de certa forma, mas na verdade nós estamos reafirmando a nossa identidade. Ela nos traz uma forma de viver e se expressar de uma maneira na qual a gente se sente bem.”

A busca pelo espaço foi defendida por outros participantes do webinar. A miss Rayka falou sobre como foi para ela ter sido reconhecida enquanto mulher ao ser convidada para participar do concurso Miss Brasil Mundo, ao invés de ter se inscrito. “Eu fui convidada para participar do concurso e queria chamar a atenção para isso: oportunidade. Sempre tive esse sonho e nunca tive a oportunidade. Falta à sociedade nos dar oportunidade para darmos o melhor de nós.”






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