30/06/2021 - Hemocentro celebra Dia do Orgulho LGBTQIA+ com ação inclusiva



Ação comemorou um ano do fim da restrição a homens gays e ressaltou importância da doação como ato de cidadania

O Hemocentro Coordenador prof. Nion Albernaz amanheceu nesta segunda-feira, 28 de junho, mais colorido. Um banner na porta anunciava que “aqui todo mundo é bem-vindo. Diversidade gerando solidariedade.” Lá dentro, representantes do governo estadual, municipal e da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Goiás (OAB-GO) celebravam o Dia Internacional do Orgulho LGBTQIA+ e, em especial, o aniversário de um ano do fim das restrições de doação de sangue de homens que fazem sexo com homens. No dia da celebração, foram coletadas 56 bolsas de sangue e 22 cadastros de medula óssea. Parte dessas doações não poderiam ter sido realizadas antes de maio de 2020, data que a restrição foi derrubada.

Representando o secretário de Estado da Saúde, Ismael Alexandrino, o superintendente de Atenção Integral à Saúde, Sandro Rogério Rodrigues, ressaltou os avanços conquistados nas últimas décadas pela população LGBTQIA+, que, segundo ele, é uma luta da sociedade. “Fazendo uma comparação do momento que estamos vivendo hoje com o que já se conseguiu nesse processo sobre o que a gente tinha há 10, 20 anos, de todas essas conquistas que foram feitas pela luta de cada um, de todo mundo, que faz parte do grupo ou não, mas apoia o grupo, independentemente que qualquer outra questão, porque na verdade, somos todos uma comunidade de seres humanos e devemos nos apoiar na questão maior, que é o amor, de trabalhar com essas questões (de inclusão).”

Secretária Municipal de Direitos Humanos e Políticas Afirmativas, Cristina Lopes Afonso falou sobre a origem da data do Orgulho LGBTQIA+, lembrando a revolta de Stonewall, em 1969, contra a ação policial contra a comunidade gay de Nova York, no Estados Unidos, que deu origem ao Dia do Orgulho LGBTQIA+. “O sangue das pessoas LGBTs salvam vidas e ele não pode, jamais, ser derramado pela violência, pela intolerância ou pela não aceitação. Então fica aqui meus sinceros parabéns a toda essa equipe maravilhosa (do Hemocentro), que atende com extrema qualidade.”

Superintendente LGBTQIA+ da pasta comandada por Cristina, Vitor Cadillac, também agradeceu o Hemocentro e citou o que ele chamou de injustiça histórica que foi reparada. “Queria agradecer ao Hemocentro por participar desse momento tão importante de reparação e de restauranção da cidadania das pessoas LGBTQIA+. A gente sabe que o Estado brasileiro tem uma dívida enorme com as pessoas LGBTQIA+ e com as pessoas que perderam suas vidas por falta de sangue nos bancos de sangue justamente porque o sangue LGBT foi negado. Foi negada a cidadania a LGBTs durante todos esses anos, então é um momento de reparação e é um momento muito importante para toda a comunidade.”

Representando a Secretaria Municipal de Políticas para as Mulheres, a secretária executiva da pasta, Ludmila Rosa, ressaltou a importância de ações para conquista das minorias. “Hoje é um dia de celebração, de combate ao preconceito, de enfrentamento à intolerância e eu fico muito feliz de ver pessoas tão empenhadas nessa questão, como aqui hoje. Quero parabenizar a todos e todas que tiraram um tempo para sair de casa. Este é um ato simbólico que empenhará mais esforços para que as conquistas de direitos de minorias, minorias essas sub-representadas, porque mulheres, pessoas LGBTQIA+, se você for pegar na ponta do lápis talvez nem seja tão minoritárias assim.”

Já a presidente da Comissão de Diversidade Sexual da OAB-GO, Amanda Souto, primeira mulher trans a assumir uma comissão temática da seccional, lembrou que a restrição não se resumia a homens que fazem sexo com homens, mas também às mulheres trans. “No ano passado o STF considerou inconstitucional a proibição de doação por parte de homens gays e de mulheres trans. É importante estar aqui hoje representando a comissão e poder mostrar que a questão da doação de sangue, que qualquer pessoa pode fazer, é um ato de cidadania. É uma coisa que pode salvar vidas e quem não é doador frequente, que se torne.”

“Não sei porque nós, como LGBT, não poderíamos doar sangue”
Um dos momentos altos do evento foi a apresentação da drag queen Condessa Valéria Vaz, que fez um discurso forte ao falar de preconceito. “Aberração não é ser gay, aberração não é ser drag, aberração não é ser um travesti. Aberração é roubar, é matar, é impedir que pessoas que precisam tenham comida lá fora, é impedir pessoas a terem direito à saúde, à moradia. Isso que é aberração.”

Ela disse nunca ter entendido o motivo da proibição em relação aos homens gays. “Agradeço por esse convite e estou muito feliz de estar aqui. Sou Condessa Valéria Vaz, sou um ator transformista. Ser drag é uma ato político e por isso estamos aqui. Não sei porque nós, como LGBT, não poderíamos doar sangue. Sim, se tivéssemos AIDS ou outras patologias, tudo bem, mas esse Dia do Orgulho LGBT é muito importante para nós, porque a Constituição fala para nós que o direito é para todos, não é só para um, dois ou três, um grupo, mas o direito é para todos.”

O preconceito, disse a drag, faz com que muitas pessoas relutem a se assumir, as impedindo de serem felizes. “Dentro da sua casa, dentro da sua família tem um LGBT lá dentro do armário que você ama muito e por ele saber que você ama muito,e não tem coragem de se soltar, de se assumir. Então, fique atento a isso. A liberdade é linda. Por isso que eu sou feliz, por isso sou linda.”




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