26/08/2021 - Agosto Laranja: Médico do HGG participa de live sobre esclerose múltipla



Ação foi realizada pela Coordenação Regional de Saúde Mental e Populações Específicas da SES

O médico neurologista e coordenador do ambulatório de doença neuroimunológicas do HGG, Fernando Elias Borges, participou nesta quarta-feira, 25 de agosto, do encontro Integração da Equipe Regional de Saúde Central, da Secretaria de Estado de Saúde (SES), na qual esclareceu aos participantes sobre esclerose múltipla (EM). Fernando destacou que a EM é uma doença neuroimunológica, caracterizada por desmielinização do sistema nervoso central que acomete principalmente o cérebro, tronco cerebral, nervos cranianos e medula espinhal. "Essas lesões vão produzir sintomas ligados à sensibilidade, à função motora, percepção de controle dos movimentos: perda de força, alterações da sensibilidade, alteração da percepção visual, e essas crises podem ser ocasionadas em surtos que recorrem", destaca.

Fernando explica que não um teste específico que identifique a EM, por isso, após surtos recorrentes, o diagnóstico é fechado, definido clinicamente, e confirmado através de exames laboratoriais e exames de imagens, sendo a ressonância magnética de crânio e de coluna cervical e dorsal, os exames mais importantes para auxiliar no diagnóstico. O médico fala da dificuldade de diagnóstico dos pacientes, uma vez que os sintomas são parecidos com os de outras doenças. "Por exemplo, é comum um paciente de esclerose múltipla ter crises de vertigem e ser diagnosticado como labirintite ou ter essa perda visual e procurar inicialmente um oftalmologista porque não está enxergando direito. Isso tudo atrasa do diagnóstico correto", ressalta. Ele pontua que quanto mais rápido o paciente for diagnosticado e tratado, mais tempo de qualidade de vida o paciente vai ter.

Segundo ele, a manifestação mais comum da doença é em adultos jovens, com a faixa etária entre 20 e 40, mas a EM também pode aparecer na infância, por volta de 10 anos, ou mais tardiamente, aos 50 anos. Fernando também chama atenção para gatilhos que podem antecipar a manifestação da EM. "A covid-19 pode ser um gatilho para acelerar o diagnóstico de esclerose múltipla, uma doença não provoca a outra, mas antecipa a manifestação de sintomas". O neurologista afirma que o diagnóstico precoce e correto proporciona mais qualidade de vida para os portadores da doença e permite o uso correto de medicamentos que diminuem a frequência dos surtos.

Para o médico, é necessário melhorar o atendimento na atenção básica para pacientes com suspeita de doença neurológica recorrente, com características que sugerem que ela pode ser inflamatória, para que eles sejam encaminhados diretamente para um hospital terciário. "O HGG recebe pacientes da rede básica, mas hoje se o paciente tem um diagnóstico ou suspeita de uma doença desmielinizante, esse encaminhamento não é feito especificamente para hospital terciário que acompanha doenças desse tipo. Ele acaba indo para qualquer hospital que tenha um neurologista e isso pode atrasar o início do tratamento", analisa. Ele acrescenta ainda que há uma necessidade urgente de que a regulação entre os municípios desenvolvam mecanismo de tecnologia da informação que possibilitem priorizar o encaminhamento desses pacientes para os centros de referência, dando maior celeridade ao diagnóstico e consequentemente, proporcionando um tratamento mais precoce possível.

Cegem
Desde 2003 o Hospital Estadual Alberto Rassi – HGG sedia o Centro Goiano de Estudos da Esclerose Múltipla – Cegem. De lá para cá, centenas de pacientes já foram atendidas pela equipe de profissionais da unidade do Governo de Goiás que é referência em tratamento de esclerose múltipla (EM) no Estado. O hospital oferece serviços ambulatoriais nas especialidades de neurologia (doenças desmielinizantes), urologia (bexiga neurogênica), fonoaudiologia, psicologia e psiquiatria, que atendem, de forma integrada aos pacientes. O Hospital dispõe de sala de infusão para pulsoterapia ambulatorial, que proporciona maior conforto aos doentes e evita internações desnecessárias. Todos os exames laboratoriais e de imagem são realizados no hospital ou por meio de convênios.

Conscientização
Desde 2014, o mês de agosto ganhou cor em prol da conscientização da doença autoimune que mais acomete jovens adultos em todo o mundo: a esclerose múltipla. O Agosto Laranja foi criado pelos Amigos Múltiplos pela Esclerose (AME) com o objetivo de ser um movimento coletivo para desmistificar essa condição crônica de doença e fomentar o diagnóstico precoce, mais qualidade de vida, acolhimento, respeito e dignidade para quem convive com a doença, seus amigos e familiares. Também no dia 30 de agosto é comemorado o Dia Nacional de Conscientização sobre a Esclerose Múltipla. A data foi instituída por meio da Lei 11.303, em 11 de maio de 2006, para homenagear Ana Maria Amarante Levy, a mulher que levantou pela primeira vez, no Brasil, a bandeira da luta contra esta doença crônica, degenerativa e autoimune.



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