O Hospital Estadual Alberto Rassi - HGG realizou nessa segunda-feira, 27 de setembro, o webinar "Perspectivas de doações e transplantes de órgãos e tecidos no cenário da covid-19". Sob mediação da psicóloga do HGG Mariana Leles, participaram do encontro a gerente da Central de Transplantes da Secretaria do Estado de Saúde, Katiúscia Freitas; a bióloga e técnica em Banco de Olhos, Célia Malveste; e o médico nefrologista do Serviço de Transplante Renal do HGG, Afonso Nascimento.
Katiuscia Freitas abriu o evento apresentando números e explicando o funcionamento da Central Estadual de Transplantes (CET), que é responsável por coordenar o Sistema Estadual de Transplantes, fiscalizando e atuando em todo processo de notificação de morte encefálica, doação de órgãos e transplantes em Goiás. "No Brasil, durante o primeiro semestre, houve queda de 13% no número de doadores de órgãos. Já em Goiás registramos um aumento de 36% no número de doadores de órgãos e tecidos e de 12% de transplantes realizados no primeiro semestre de 2021, se comparado ao mesmo período do ano passado."
Segundo Katiuscia, o número de transplantes no Brasil poderia ser maior, e entre os principais desafios enfrentados hoje estão o número insuficiente de doadores efetivos, elevado índice de recusa familiar (40%) e o baixo índice de notificações de morte encefálica, que teve uma redução durante a pandemia. "A pandemia impactou muito na doação de órgãos no Brasil, mas, ainda assim, Goiás teve um aumento de doadores. Fechamos 2020 com 80 doadores, em 2019 foram 75", destaca.
Tecidos
Diferente dos órgãos, os tecidos são bem mais criteriosos para transplante, explica Célia Malveste. "Uma vez que a pessoa está na fila e não corre risco de morte, a triagem deve ser criteriosa, sem nem um tipo de contaminante". Ela explica que todo Banco de Olhos tem um controle de qualidade muito rígido, justamente para oferecer um tecido de excelente qualidade. Ela ressalta que a covid-19 tornou os critérios para doação ainda mais rigorosos.
HGG
Para o médico Afonso Nascimento o melhor tratamento para a doença renal crônico é o transplante. "Não há nada mais gratificante para um nefrologista do que dar alta para um paciente com recuperação de função renal, porque você devolve a qualidade de vida para aquela pessoa."
O HGG conta hoje com três equipes de transplantes renais. O serviço foi implantado no ano de 2017, a unidade de saúde já realizou 566 procedimentos desde então, se tornando o maior hospital transplantador de rim do Centro-Oeste brasileiro, levando Goiás a ser o décimo estado em número desse tipo de procedimento no país, segundo dados do Registro Brasileiro de Transplantes (RBT), da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO).
No último ano a unidade também teve um aumento de 133% nos transplantes hepáticos. O Serviço de Transplantes de Fígado do HGG teve início em 2018 e o hospital é a única unidade de saúde a fazer esse tipo de procedimento em Goiás, contabilizando 30 transplantes, até o mês de agosto.
Assista o webinar na íntegra:
Perspectivas de doações e transplantes de órgãos e tecidos no cenário da covid-19