30/09/2021 - Primeira cirurgia de redesignação sexual do HGG é considerada um sucesso



Procedimento durou cerca de quatro horas e não teve nenhuma intercorrência

O Hospital Estadual Alberto Rassi - HGG realizou na última quarta-feira, 29 de setembro, sua primeira cirurgia de redesignação sexual dentro do Serviço de Identidade de Gênero, Transexualidade e Intersexualidade – Ambulatório TX. A paciente, Maria Luiza Alves Teles, de 23 anos, passou pela cirurgia, que durou quatro horas, no começo da tarde e retornou ao quarto por volta das 19 horas. O procedimento foi considerado um sucesso pela coordenadora do Ambulatório TX, a ginecologista Margareth Giglio. “Foi ótimo. Um sucesso e nenhuma intercorrência”, disse a médica.

Antes da cirurgia, uma cerimônia realizada no Auditório Luiz Rassi celebrou o início dos procedimentos cirúrgicos do tipo. Entre os presentes estavam o secretário de Estado da Saúde, Ismael Alexandrino; o patrono do programa transexualiador do HGG, Aldair Novato Silva; o presidente do Conselho Estadual de Saúde, Venerando Lemes; a presidente do Instituto Nacional de Mulheres Redesignadas, Rafaela Damasceno; a presidente da Comissão de Diversidade Sexual e Gênero da OAB-GO, Amanda Souto Baliza; o superintendente LGBTQIA+ da Prefeitura de Goiânia, Victor Cadilac; e o gerente de Diversidade da Prefeitura de Senador Canedo, Clayton Feitosa, entre outros. Na ocasião, foi realizada uma homenagem a Aldair e à própria Maria Luiza, que recebeu flores do secretário Ismael Alexandrino.

Durante o evento, o secretário de Estado de Saúde ressaltou o marco que representa a data para a saúde pública do Estado. “A Secretaria de Estado da Saúde de Goiás é a primeira no Brasil que tem um hospital da sua rede que se estruturou e hoje oferece esse serviço para cuidar de cada um que tem essa questão da sexualidade, do gênero, para que seja acolhido em sua necessidade.” Esse acolhimento, ressalta Ismael, é um dos preceitos do Sistema Único de Saúde, que propõe atendimento integral, universal e equânime à população. “Acho que esse entendimento de acolher o ser humano nas suas necessidades precisa fazer parte do arcabouço de gestão de qualquer gestor, sobretudo gestor público e de saúde pública. Um dos princípios do SUS é a integralidade - tratar o indivíduo na sua completude -, o outro é a universalidade - tratar a população dando-lhe o acesso universal em todas as suas necessidades - e o outro é a equidade - tratar as diferenças na medida da sua necessidade. E esses princípios são os que norteiam o SUS e a minha gestão, e é o que tento passar para a nossa equipe.”

Já Margareth Giglio, citou um pouco da história das cirurgias de redesignação sexual e da importância do trabalho desenvolvido pelo ambulatório, que é contínuo. “A gente acostuma achar que a cirurgia é o fim do processo e eu acostumo falar para as mulheres trans que essa é mais uma etapa que você vai avançar, porque muitas coisas ainda estão por vir. Então, desde que foi implantado o nosso serviço aqui no HGG, parecia-se que ia culminar com essa cirurgia e estaria pronto o processo. Não. O projeto é um processo. Cada um que entra aqui poderá sair, mas provavelmente ele vai continuar tendo o acompanhamento para o resto da vida, porque não se deixa de ser transexual.”




© IDTECH, Hospital Estadual Alberto Rassi/HGG, Hemocentro de Goiás - TODOS OS DIREITOS RESERVADOS