Em comemoração aos cinco anos de inauguração da Ala de Cuidados Paliativos, o Núcleo de Apoio ao Paciente Paliativo (NAPP) do Hospital Estadual Alberto Rassi – HGG realizou nos dias 23 e 24 de novembro a VI Jornada de Cuidados Paliativos. Com o tema "Quando aprendemos as lições, a dor se vai", o público teve a oportunidade de conferir uma abordagem multidisciplinar do cuidado em todas as dimensões.
A abertura do evento aconteceu no dia 23, com a live "Terapia da dignidade", ministrada pela médica paliativista Ana Kotinda e pela psicóloga paliativista Tatiana Brum, com mediação do psicólogo do NAPP-HGG, Dimilson Vasconcelos. Durante a apresentação, as profissionais destacaram a importância de respeitar a dignidade de cada paciente. "A dignidade tem que ser o início, é por ela que precisamos passar para adentrar no mundo do paciente, o solo sagrado dele, e é por isso que a gente estuda esse tema", destaca Kotinda.
Assista a live completa no link: Terapia da Dignidade
O segundo dia de evento aconteceu de forma presencial, no Auditório Dr. Luiz Rassi, com público reduzido para garantir as medidas de segurança contra o coronavírus, e reuniu profissionais de diversas especialidades. As palestras abordaram os temas "Autocompaixão", "Comendo com prazer até o fim", "Quando a dor fala" e "Eu escolhi cuidar". Para a médica geriatra e chefe do serviço de cuidados paliativos do HGG, Ana Maria Porto, a Jornada veio para ressignificar esse momento que estamos vivendo. "A gente precisava dar sentido a tudo isso que nós vivemos [durante a pandemia], esses momentos de aflição, de angústia, de não saber o que fazer, de ter que seguir com fé. Então, a jornada veio para dar sentido ao que a gente mais ama fazer: cuidar das pessoas".
A psicóloga Gisele de Fátima Silva atua com cuidados paliativos desde 2004 e veio de Brasília para participar da Jornada do HGG. "Eu vim prestigiar o trabalho dos colegas. Embora estejamos em estados diferentes, nós estamos muito conectados com relação aos cuidados paliativos, as práticas assistenciais, porque essa área ainda está se fortalecendo no país. Então, eu vim para atualizar os conhecimentos e rever os colegas, pensando em outras estratégias para pessoas com doenças que ameaçam a vida".
Mesmo trabalhando na área hospitalar do Centro Estadual de Reabilitação e Readaptação Dr. Henrique Santillo – Crer, a psicóloga Fernanda Juliana Mateus, conta a Jornada foi seu primeiro contato com cuidados paliativos. "Eu estou saindo daqui hoje muito emocionada, porque eu atuo na área hospitalar há muitos anos e eu nunca tive contato com cuidado paliativo até então, por isso, hoje foi um dia de muita renovação, um verdadeiro presente".
A interna de medicina do HGG Ana Júlia Gonçalves também acompanhou a Jornada e falou da importância do evento para ela, que está em formação. "Cuidado paliativo é uma área que me chama muita atenção, principalmente pelo fato de cuidar de alguém em final de vida e poder estar junto nesse momento tão precioso. Ela destacou ainda sobre o tema "autocompaixão", abordado em uma das palestras. "Me tocou bastante, pelo fato da necessidade de olhar para nós mesmos, para que nós estejamos bem para cuidar do outro, e essa é a essência: a importância de cuidar."
5 anos
Inaugurada em novembro de 2016, a Ala de Cuidados Paliativos do HGG já realizou mais de 2,2 mil atendimentos desde então. O hospital é o único do Estado a contar com uma ala exclusiva e estruturada para oferecer assistência multidisciplinar na rede pública de Goiás. Para coordenadora do NAPP, Ana Maria Porto, o HGG cumpre um papel importantíssimo em Goiás que é de formar novos profissionais, inclusive, que hoje atuam como chefes do serviço de cuidados paliativos em diversas unidades de saúde do Estado. "Hoje o que a gente vê é uma instituição que, além de uma assistência aos seus pacientes, presta atendimento no campo de estágio, promovendo conhecimento".
Daniel Marques, residente do 2º ano de clínica médica no HGG, conta que trabalhar na ala de cuidados paliativos para ele foi engrandecedor. "Para nós, como residentes, faz uma diferença muito grande na nossa formação atuar com cuidados paliativos, e esse é um diferencial que o HGG tem em relação a outros hospitais que ainda não têm o serviço estruturado como aqui."Ele afirma que o serviço de cuidados paliativos permite que o profissional exercite um olhar mais humanizado para o paciente, que deve se estender não somente aos profissionais paliativistas, mas para todos os demais que atuam na área de saúde.