Pacientes e acompanhantes que aguardavam atendimento no Ambulatório de Medicina Avançada (AMA) do Hospital Estadual Alberto Rassi – HGG tiveram a oportunidade de conhecer e esclarecer dúvidas sobre a neuromielite óptica (NMO), uma doença autoimune pouco conhecida que pode causar perda de visão em um ou ambos os olhos. A palestra sobre o tema foi ministrada no dia 25 de abril, pelo médico Caio Caetano Vasconcelos, residente do Serviço de Neurologia do HGG.
O profissional alertou que a NMO é uma doença rara, ainda sem cura, mas com tratamento disponível. Além de explicar os sintomas, tratamentos e prevenção, o médico distribuiu folhetos com informações sobre a NMO. Caio Caetano destacou a importância de informar a população sobre a existência da doença, ressaltando que muitas pessoas nem sequer ouviram falar dela. Ele apontou que uma das grandes dificuldades dos pacientes é a falta de conhecimento sobre a doença, inclusive entre os profissionais de saúde. “Por ser uma doença rara, não há muita divulgação sobre a neuromielite óptica. Sem um diagnóstico correto, os pacientes passam por diversos médicos sem acesso ao tratamento adequado. É importante que as pessoas saibam que essa doença existe e que há tratamento oferecido gratuitamente pelo SUS”, explicou.
“Esperamos que, a partir desta palestra, eles compartilhem o que aprenderam, pois são informações que podem alcançar quem precisa. É importante destacar que o HGG trata esses pacientes e oferece todo o apoio para que consigam os medicamentos necessários”, acrescentou.
Durante a palestra, a paciente Maria Lourdes Freitas, de 58 anos, que possui a doença, compartilhou sua experiência. “Descobri a doença em 2017 e desde então faço acompanhamento aqui no HGG. Já cheguei aqui sem enxergar nada, mas com os medicamentos, consigo controlar a doença”, relatou.
Outra paciente, Fabiana Vieira, ouviu atentamente a palestra e considerou um momento valioso para aprender sobre algo ainda desconhecido. “Foi muito bom porque todos puderam tirar dúvidas. Normalmente, não temos muitas oportunidades de conversar com médicos fora de um consultório”, comentou.
A NMO pode ser confundida com Esclerose Múltipla (EM), pois ambas são doenças neurológicas autoimunes, de causa desconhecida, que afetam principalmente a mielina. No entanto, diferem em relação à prevalência, padrão imunológico, tratamento e prognóstico.
Por ser uma doença autoimune, não se sabe o que a desencadeia. A NMO afeta mais as mulheres do que os homens e é mais comum em afrodescendentes.
Sintomas:
Os pacientes com NMO apresentam sintomas como vômitos incontroláveis, náuseas e soluços persistentes, dormência, queimação, dor nos olhos, perda ou redução da visão.
Tratamento:
Existem tratamentos eficazes e bastante eficientes que buscam reduzir a resposta imunológica do paciente, diminuindo a produção de anticorpos que atacam o próprio corpo. Há medicamentos disponíveis na rede pública de saúde que podem controlar a maioria dos sintomas. Apenas os casos considerados "refratários", que não respondem aos medicamentos disponíveis no SUS, exigem tratamento mais caro.