“Compreendendo e aceitando emoções: o conhecimento como fator protetivo”. Essa abordagem foi tema de mais uma palestra em alusão ao Setembro Amarelo, no Hospital Estadual Alberto Rassi - HGG, no último dia 5 de setembro, ministrada pela psicóloga Mariana Leles. Na ocasião, participaram do treinamento profissionais da equipe administrativa e assistencial da unidade.
O objetivo do Setembro Amarelo não é apenas o foco no mês, mas a oportunidade de retratar o assunto no dia a dia e promover reflexões diárias. A psicóloga comenta ainda que neste ano, o serviço de psicologia se propôs a realizar abordagens diferentes com os colaboradores da unidade. “Sempre tentamos falar um pouco sobre os transtornos mentais, sofrimentos emocionais específicos e estatísticas como uma forma de orientar os colaboradores. Mas esse ano, optamos por trabalhar com a conexão interior dessas pessoas. A gente sabe que a questão do suicídio não é uma coisa que surge de um dia para o outro. Pelo contrário, cada dia mais evidências mostram para nós que atos impulsivos são raros. Na maioria das vezes há um planejamento, há uma intenção antes que de fato aconteça. Então há sinais. E isso é em decorrência de um sofrimento que o individuo é acometido, além disso a dor começa a aumentar de forma gradativa, a ponto da pessoa não ter mais recursos, estratégias para lidar. Então, a proposta era trazer à tona o conhecimento a cerca do autoconhecimento, emoções e logo a análise dos comportamentos de cada um.”
A profissional também lembra que o uso diário da internet e das redes sociais tem evidenciado grandes impactos na saúde mental da população. “Atualmente, a internet gera uma configuração visual de uma vida que muitas vezes é fictícia. Isso tem impactos diferentes nas fases do nosso desenvolvimento. Para as crianças e adolescentes, por exemplo, o impacto pode ser ainda maior, porque são pessoas que estão em fase de formação, de autoconhecimento e estruturação de personalidade, de se incluir em grupos, de sentir a necessidade de aprovação do outro, de uma comparação constante entre a vida deles e a vida do outro”, pontuou.
O colaborador Johnathan da Silva de Oliveira, técnico de enfermagem da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do HGG, trabalha na unidade há mais de 12 anos. Ele comenta que já participou de outras palestras sobre o Setembro Amarelo, e que acha muito importante falar sobre o tema. “Às vezes, a gente vem trabalhar, mas nunca sabemos o que as outras pessoas estão passando. Então, geralmente quem é mais observador já conhece e percebe quando a pessoa está com um comportamento diferente. Temos colegas que conseguimos perceber muito rápido que algo não vai bem, então sempre tentamos ajudar. É muito importante conversar. Ficamos tanto tempo próximos, é interessante que a gente entenda e conheça um pouquinho de cada um”, considerou.
A colaboradora Lucilene Cândida Martins da Silva, também técnica de enfermagem da UTI, conta que os colegas de trabalho já sabem o dia que ela está bem ou não, por conta da cor do batom. “Todos aqui me conhecem pela minha alegria e jeito de ser. Eu tento sempre tornar o ambiente mais saudável e alegre, pois eu sou assim em todos os lugares. E também acho que a proposta da psicologia em conversar conosco sobre a importância de cuidarmos de nós e também de olhar com compaixão para outras pessoas faz diferença em nosso dia a dia”, finalizou.