Na manhã desta terça-feira, 24 de setembro, os pacientes do Centro Estadual de Atenção ao Diabetes (Cead) do Hospital Estadual Alberto Rassi - HGG participaram de uma palestra sobre Neuropatia Diabética, ministrada pela fisioterapeuta Geovana Pacheco. Além dos atendimentos médicos e multiprofissionais, a unidade de saúde promove semanalmente palestras sobre temas relacionados ao diabetes e cuidados com a saúde, proporcionando um espaço para que pacientes e acompanhantes esclareçam suas dúvidas com os profissionais.
A Neuropatia Diabética é uma das complicações mais comuns do diabetes, afetando os nervos periféricos, especialmente nas extremidades. Os sintomas incluem dores nas pernas, formigamento, câimbras, queimação, falta de sensibilidade e dores intensas, frequentemente mais perceptíveis durante a noite. A fisioterapeuta destacou que o diagnóstico de diabetes indica um excesso de açúcar no organismo, que pode danificar os nervos responsáveis por transmitir informações sensoriais para as extremidades, como pés e mãos. "Para caminhar bem e sentir temperaturas, é crucial que os nervos estejam preservados", ressaltou.
Muitos pacientes com diabetes convivem com esses sintomas, mas não os relatam durante as consultas. A profissional enfatizou a importância de comunicar qualquer sintoma, especialmente a falta de sensibilidade nas áreas abaixo dos joelhos. Além disso, a fisioterapeuta destacou que o Cead possui uma academia, onde os pacientes podem, com indicação profissional, realizar sessões semanais para melhorar a funcionalidade, força e equilíbrio.
"A realização dessas palestras é extremamente importante. Como fisioterapeuta e educadora em saúde, percebo que os pacientes necessitam dessas orientações. Durante as consultas, nem sempre conseguimos oferecer todas as informações necessárias, e nem todos os pacientes fazem acompanhamento semanal conosco. A neuropatia diabética é uma complicação frequentemente subdiagnosticada e pode levar a lesões nos pés e amputações. Portanto, promover esses momentos é essencial para que os pacientes possam esclarecer dúvidas e perceber que não estão sozinhos em suas dificuldades. Como mencionei na palestra, só conseguimos tratar o que conhecemos. Quando os pacientes não compartilham seus sintomas, acabamos subdiagnosticando a situação. Conhecer a frequência e a gravidade dos sintomas nos permite ajudar melhor nossos pacientes", destacou a fisioterapeuta.
Para finalizar a palestra, residentes de fisioterapia compartilharam exercícios de mobilidade para os pés e tornozelos, que podem ser realizados em casa, com o objetivo de melhorar a qualidade de vida dos pacientes enfrentando dores relacionadas à neuropatia diabética. Além das palestras informativas, a equipe multiprofissional do Cead também oferece orientações aos pacientes nas manhãs de segunda-feira e nas tardes de terça-feira. Durante essas sessões, um fisioterapeuta, uma enfermeira, uma nutricionista e uma assistente social abordam o funcionamento do Cead, os serviços disponíveis para os pacientes com diabetes e a importância de manter um tratamento adequado.
Aline Veloso, residente de fisioterapia, destacou que a educação primária é um dos pilares para promover o acesso à saúde. "Para que o SUS seja efetivo, precisamos fornecer conhecimento para que as pessoas tenham consciência e acesso à informação e ao autocuidado. Como a fisioterapeuta Geovana enfatizou, a prevenção é fundamental. Se conseguirmos identificar e diagnosticar alterações na fase inicial, evitamos agravos, lesões e úlceras. Para nós, residentes, essa experiência complementa nossa formação de maneira integral, permitindo que vejamos o paciente de forma holística, o que é muito importante como profissionais."
A residente de fisioterapia Caroliny Andrade, destacou que os pacientes sempre aprendem com a realização das palestras. "Depois, eles nos procuram para realizar exercícios. É um momento em que podemos observar se eles estão aplicando os cuidados em sua rotina diária, e, em geral, isso acontece. Eles aprendem e nós continuamos acompanhando esse processo."
A paciente Eleni Alves Souza, residente de Trindade, faz acompanhamento no Cead para diabetes tipo 2 há cerca de dois anos. Ela já enfrentou a necessidade de amputar dois dedos dos pés devido a complicações da doença e aproveitou a palestra para esclarecer suas dúvidas. "Eu acho ótimo aqui no HGG, sou sempre muito bem atendida. Às vezes venho com acompanhante, mas mesmo quando venho sozinha, todos me ajudam, empurrando minha cadeira de rodas e me levando ao consultório. A palestra foi muito boa, pois tirei minhas dúvidas. Tenho câimbras, formigamento nas mãos e dormência, e não sabia que poderiam estar relacionadas a outra doença. Eu sentia os sintomas, mas nunca falei sobre isso com meu médico. Agora, tirei minhas dúvidas e estou satisfeita. E eu gosto muito daqui! A cozinha é muito boa, já participei da cozinha experimental e aprendi receitas de comidinhas gostosas."