Como parte das ações do Setembro Amarelo, o Hospital Estadual Alberto Rassi – HGG promoveu uma palestra para os pacientes e acompanhantes que aguardavam por atendimento no Ambulatório de Medicina Avançada (AMA). A ação, que faz parte de uma série de atividades promovidas pela unidade neste mês, foi realizada nesta terça-feira, 24 de setembro. A palestra, ministrada pela médica Naiane Folini, residente do Serviço de Psiquiatria do HGG, enfatizava a necessidade de estar atento aos sinais, ressaltando a importância de discutir a saúde mental de maneira aberta e ativa.
Ao longo da apresentação, a médica destacou a importância de cuidar da própria saúde mental e também de estar atento às pessoas ao redor, reforçando a ideia de que prevenção ao suicídio é um esforço coletivo. “O que a gente percebe é uma resistência muito grande dos pacientes nas primeiras consultas, mas depois as coisas vão ficando mais fáceis e eles acabam aceitando o tratamento. Uma das ideias que eu quis passar aqui hoje é que precisamos ser persistentes. Devemos insistir para que as pessoas que amamos aceitem ajuda profissional. É uma missão desgastante, mas isso pode salvar a vida desta pessoa”, afirmou Naiane.
A psicóloga reforçou a necessidade de observar o comportamento das pessoas próximas, notando sinais como mudanças de humor, isolamento ou discurso pessimista, e oferecendo apoio de forma proativa. A palestra também enfatizou o papel da comunidade em criar um ambiente de segurança e acolhimento, onde as pessoas sintam-se à vontade para falar sobre suas dores e buscar ajuda.
Ao longo da palestra, alguns pacientes tiraram dúvidas e comentar o tema. Juliana Miranda, paciente do Serviço de Ginecologia do HGG, resolveu compartilhar sua história com todo o público. Ela afirmou que tem casos de tentativa de autoextermínio de pessoas próximas. “O mais difícil pra mim foi aceitar que meu filho estava doente. Depois foi lidar com a família, que não o entendia e ainda o deixavam mais para baixo. Falar desse assunto é muito importante porque se eu tivesse a cabeça que eu tenho hoje, eu teria percebido mais cedo que meu filho precisava de ajuda”, avaliou.
Ao fim da palestra, a médica Naiane Folini recebeu alguns pacientes que preferiram não se abrir em público. A profissional afirma que o tema ainda é um grande tabu, mas abordá-lo é o primeiro passo para diminuir os altos índices de autoextermínio em todo o mundo. “O Setembro Amarelo foi idealizado para que falássemos sobre isso. Não é um tema fácil, mas é preciso ser discutido na mesa de jantar. Nós todos precisamos ser ouvidos”, disse.