22/10/2024 - HGG realiza primeira cirurgia de redução de ‘pomo-de-adão’ para mulheres trans



Hospital é o único a realizar procedimento pelo SUS em Goiás

Referência no atendimento ao público LGBTQIAPN+, o Hospital Estadual Dr. Alberto Rassi – HGG realiza nesta sexta-feira, 18 de outubro, a primeira cirurgia de tireoplastia da história da saúde estadual goiana. O procedimento consiste na redução da proeminência laríngea, popularmente conhecida como pomo-de-adão.

O médico do Serviço de Otorrinolaringologia do HGG, Edson Fernandes explica que o procedimento não altera a voz das pacientes. “A tireoplastia consiste na redução desta cartilagem do pomo-de-adão e tem o objetivo de tornar o pescoço mais feminino. A tireoplastia é um procedimento de alta complexidade, mas não há prejuízo às cordas vocais. Esperamos dar alta a estas pacientes entre três e sete dias, para que elas possam voltar às suas atividades normais”, disse.

A tireoplastia é uma cirurgia prevista na Tabela SUS, sistema do Ministério da Saúde para custeio de procedimentos em hospitais de todo o País. O procedimento consta na portaria Nº 2.803, de 19 de novembro de 2013, do Ministério da Saúde, que redefine e amplia o Processo Transexualizador no SUS. De acordo com o documento, a cirurgia consiste na redução do pomo-de-adão, com vistas à feminilização dos traços físicos das pacientes.

O médico Edson Fernandes reforça que as pacientes que passarão pelo procedimento realizam acompanhamento no Serviço de Identidade de Gênero, Transexualidade e Intersexualidade - Projeto TX do HGG. Edson diz que a redução do pomo-de-adão vai muito além das questões estéticas. “É uma cirurgia considerada estética, mas o ganho de autoestima destas pacientes é imensurável. Acredito que o HGG esteja ajudando na realização dos sonhos destas pessoas. Oferecer acesso à saúde de qualidade é oferecer dignidade a este público”, concluiu.

A tireoplastia é mais um serviço a ser incorporado ao atendimento à população trans no hospital que, em 2023, foi habilitado pelo Ministério da Saúde para atendimento nas modalidades ambulatorial e hospitalar. A unidade também realiza consultas, cirurgias de modificações corporais como mastectomias, implantes de próteses mamárias e histerectomia, além de cirurgias de redesignação sexual.

Desde 2017, a unidade de saúde oferece à população trans atendimento médico e multiprofissional. O serviço, voltado para homens e mulheres trans, contempla atendimento com a equipe multidisciplinar composta por três ginecologistas, um psiquiatra, três psicólogos, fonoaudiólogos e enfermeiros, além de profissionais que atuam nas áreas de cirurgia plástica, mastologia, urologia, endocrinologia, otorrinolaringologia e dermatologia.

Impacto social

O coordenador do Serviço Transexualizador do HGG, médico João Lino Franco Borges, comenta que o serviço desenvolvido no HGG é fundamental para a saúde da população trans, além de ocasionar um impacto social muito positivo. “Esse projeto é um movimento de luta. Nossa meta é facilitar o acesso à saúde e investir na formação médica e psicológica da equipe multidisciplinar, para ampliar a assistência. Não só eu, mas acredito que outros médicos tenham tido pouco ou nenhum contato, durante a graduação, com a população transexual. É um desafio, mas nos preparamos diariamente para executar esse serviço com excelência”, disse.

O secretário de Estado da Saúde, Rasivel dos Reis, reforça que o objetivo da SES é ampliar cada vez mais o acesso a esse serviço. "Com a regionalização da saúde, o Governo de Goiás tem buscando ampliar o atendimento à população trans e, com isso, conta no momento com ambulatórios nas cidades de Senador Canedo e Itumbiara. A Secretaria também vem trabalhando na capacitação técnica das equipes que irão atuar nos Ambulatórios Especializados que serão abertos nas policlínicas de Formosa, Quirinópolis, São Luíz de Montes Belos e Goianésia", afirmou.

O HGG tem um compromisso e propósito no atendimento da comunidade trans. Todos os profissionais são preparados e treinados para um atendimento humanizado e com respeito às diversidades. O hospital, além de ser um local de cuidados, também é um espaço de acolhimento e receptividade para a população trans.



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