28/01/2025 - Goiás é líder nacional em número de cirurgias de redesignação sexual



Serviço Transexualizador do Hospital Estadual Dr. Alberto Rassi - HGG é o mais bem estruturado do país

Goiás, por meio do Hospital Estadual Dr. Alberto Rassi – HGG, é o estado que mais fez cirurgias de redesignação sexual entre dezembro de 2023 e outubro de 2024, conforme o DataSUS. Foram 26 procedimentos do tipo, enquanto o Rio de Janeiro aparece em segundo lugar com 17 cirurgias, e o Rio Grande do Sul é o terceiro, com 10 cirurgias. Para celebrar o marco, o Governo de Goiás, por meio da Secretaria de Estado da Saúde (SES) e Hospital Estadual Dr. Alberto Rassi - HGG, realiza um evento no dia 29 de janeiro, Dia Nacional da Visibilidade Trans. A cerimônia será realizada no Auditório Luiz Rassi, no 5º andar do HGG, às 9h30.

O número alcançado se refere apenas ao período em que o Serviço de Identidade de Gênero, Transexualidade e Desvios da Diferenciação Sexual – Ambulatório TX do HGG passou a ser habilitado pelo Ministério da Saúde nas modalidades ambulatorial e hospitalar. Antes da habilitação, a unidade já vinha realizando este tipo de cirurgia.

A redesignação sexual é um procedimento cirúrgico que altera as características genitais de uma pessoa para que correspondam ao gênero com o qual se identifica. O HGG começou a ofertar a cirurgia em setembro 2021, quando finalizou o ano com cinco procedimentos feitos. Desde então, a unidade tem aumentado sua produção cirúrgica exponencialmente. Em 2022, foram contabilizadas 12 cirurgias de redesignação; 2023 finalizou com 15; e, em 2024, o número quase duplicou, com 28 cirurgias. Desde que o serviço foi implantado, foram realizadas 198 cirurgias destinadas ao público trans, 93 só no ano passado, um recorde para a unidade. Dentre os procedimentos cirúrgicos, o mais procurado é a cirurgia de redesignação sexual, que soma 60 pacientes atendidos até aqui.

Além disso, em relação às mulheres trans, o HGG realizou, desde 2021, 20 cirurgias de colocação de prótese mamária, além de oito cirurgias complementares.Em 2024, o HGG também passou a ofertar a cirurgia de tireoplastia. O procedimento consiste na redução da proeminência laríngea, popularmente conhecida como pomo-de-adão. Só o HGG oferta este serviço em toda a rede estadual de saúde.

Para os homens trans, o hospital oferta as cirurgias de histerectomia, que consiste na retirada do útero, e mastectomia, procedimento para retirada das mamas. De 2021 para cá, quando os procedimentos passaram a ser realizados na unidade, foram contabilizadas 36 histerectomias e 53 mastectomias. Só em 2024, o HGG realizou 10 histerectomias e 27 mastectomias.

O secretário de estado da saúde, Rasível Santos comemorou os números alcançados. Ele afirma que Goiás, através do HGG, é um exemplo no atendimento à população trans. “O que temos feito em Goiás é um grande exemplo para todo o Brasil. A SES e o HGG tem um compromisso com a inclusão. O fato de liderarmos no ranking de redesignação sexual mostra que estamos no caminho correto e nos dá força para alcançar mais pessoas”, disse.

Conquistas

Além de homenagear pacientes e profissionais, o Governo de Goiás também aproveita o Dia da Visibilidade Trans para anunciar que o HGG passa a ofertar a dispensação de medicamentos para hormonioterapia para a população trans. A partir do anúncio, os pacientes trans poderão ter acesso aos hormônios na própria unidade, com acompanhamento de um farmacêutico. Sem o acompanhamento adequado, muitos homens e mulheres trans iniciam a hormonização por conta própria, o que pode gerar complicações no fígado e doenças como osteoporose.

O coordenador do Serviço Transexualizador do HGG, o médico João Lino Franco Borges comemorou mais um avanço para os pacientes do Ambulatório TX. “Do ponto de vista clínico, poderemos dar mais segurança ao paciente. Essa oferta na dispensação de medicamentos garante constância na aplicação dos hormônios”, disse.
Outra melhoria que também passará a ser ofertada à população trans é a terapia de readequação vocal. O hospital adquiriu um software que analisará a voz dos pacientes e produzirá um diagnóstico. A partir dos dados produzidos pelo programa, os fonoaudiólogos da unidade poderão traçar estratégias e criar exercícios para adequar a voz ao gênero dos pacientes.

A terapia de readequação vocal no Programa Transexualizador do HGG procura modificar e até adequar a frequência da voz, por meio de ajustes supralaríngeos, seja trabalhando a mudança de grave para agudo, ou do agudo para o grave, com laserterapia vocal, exercícios de suavização, articulação da fala e postura.

A aquisição do software atenderá a demanda de pacientes que sofrem de disforia vocal, um desconforto que é caracterizado pela percepção de desconexão entre a voz percebida e a voz desejada, o que contribui significativamente para a angústia relatada por pessoas transexuais.

O coordenador do Serviço Transexualizador do HGG comenta que o trabalho realizado pela equipe fonoaudiologia é de grande importância no processo transexualizador. "A voz é uma ferramenta de expressões de emoções, transmissão de ideias e intenções. Sendo uma parte essencial da identidade. O atendimento está em uma evolução constante e não pretendemos parar. 2024 foi muito importante porque conseguimos ampliar a equipe, passamos a ofertar a cirurgia para a redução de pomo-de-adão e começamos a capacitar médicos para atuar em serviços de transexualidade, para ampliar o locais de atendimento que hoje estão reduzidos a poucos estados”, destacou.

Ampliação do Atendimento Para Todo o Estado

Em outubro do ano passado, o HGG passou a ofertar a capacitação para médicos, visando a ampliação do acesso ao serviço para a população trans. Através do Programa de Treinamento Avançado no Processo Transexualizador, o hospital está formando profissionais para atuar junto a este público. Com o programa de treinamento, a unidade espera capacitar profissionais para atuar, posteriormente, em cirurgias e ambulatórios TX em outras unidades da federação e reforçar o quadro de médicos especializados neste público no Estado.

Além disso, a partir de fevereiro, o HGG dá início do curso de capacitação técnica para as equipes dos Ambulatórios Especializados do Processo Transexualizador que serão abertos nas policlínicas de Formosa, Quirinópolis, São Luís de Montes Belos e Goianésia.

Com a regionalização da saúde, o Governo de Goiás tem buscando ampliar o atendimento à população trans. Atualmente, o estado conta com ambulatórios nas cidades de Senador Canedo e Itumbiara.

O Projeto TX

Criado em 2017 para oferecer acompanhamento médico e multiprofissional a transexuais, travestis e outras identidades de gênero, o Serviço de Identidade de Gênero, Transexualidade e Desvios da Diferenciação Sexual – Ambulatório TX já realizou 15.511 atendimentos, 4.034 só no ano passado.

O HGG foi a primeira unidade pública estadual a oferecer tal serviço em Goiás com atendimentos ambulatoriais, estabelecendo uma rede de cuidados e de acordo com as normatizações do Ministério da Saúde nas especialidades de ginecologia, cirurgia plástica, psiquiatria, urologia, psicologia e fonoaudiologia. Na parte ambulatorial, são realizadas ações de acompanhamento clínico, destinado a promover atenção especializada no processo transexualizador.



© IDTECH, Hospital Estadual Alberto Rassi/HGG, Hemocentro de Goiás - TODOS OS DIREITOS RESERVADOS

Ícone de acessibilidade

Acessibilidade