O Hospital Estadual Dr. Alberto Rassi – HGG, em parceria com o Centro Estadual de Assistência aos Radioacidentados (Cara), promove no dia 18 de setembro a abertura do Projeto Praça Cultural Césio-137, uma exposição itinerante que combina arte, memória e conscientização sobre o maior acidente radiológico ocorrido no Brasil. O HGG teve papel fundamental no atendimento às vítimas do acidente ao implantar a Unidade dos Radioacidentados, que se tornou referência no tratamento especializado desses pacientes.
“Aqui nós temos várias obras de arte que mostram um pouco do que foi a dor e a memória. O HGG fez parte desta história ao ser o espaço que ofereceu suporte clínico para a população”, afirmou a coordenadora técnica e operacional do Instituto de Desenvolvimento Tecnológico e Humano – Idtech, instituição que administra o HGG, Natalie Alves.
A exposição apresenta quadros inspirados nesse episódio marcante e convida o público a refletir sobre os impactos da radiação, a força dos sobreviventes e a importância da preservação da memória coletiva para a construção de um futuro mais consciente e seguro.
Para a diretora geral do Cara, Glauciene Esteves, o projeto é mais do que uma exposição, é um marco de respeito à memória e um convite à reflexão. “Essa iniciativa traduz, por meio da arte, a dor transformada em força. O povo de Goiânia viveu uma tragédia que nunca será esquecida, mas que também ensinou muito ao Brasil e ao mundo. Relembrar com sensibilidade e promover esse diálogo com a cultura é uma forma de valorizar a memória coletiva e os aprendizados que nos tornaram mais fortes”, afirmou.
O artista plástico Randes Silva explica que a exposição traz como reflexão, sobre o que pode ser considerado positivo com o acidente do Césio 137. “Eu trago na minha obra, a menina do vestido azul, como algo positivo, porque a vida continua”, explica. Com previsão de circular por diversos espaços da cidade ao longo de 2025, o Projeto Praça Cultural Césio-137 busca não apenas manter viva a lembrança do acidente, mas também engajar novas gerações na construção de uma cultura de responsabilidade, prevenção e solidariedade.
Césio-137
O acidente com o césio-137, em Goiânia, ocorreu no dia 13 de setembro de 1987 e é considerado o maior acidente radiológico registrado até hoje, em todo o mundo. O episódio aconteceu devido ao manuseio indevido de um aparelho de radioterapia abandonado, que continha uma cápsula contendo a substância radioativa.
Na época, foram monitoradas 112.800 pessoas, a maioria das quais foram voluntariamente ao Estádio Olímpico para passar por medição radioativa. Dentre elas, identificou-se 249 com algum grau de contaminação. Em 120 pessoas, a contaminação foi externa, somente em roupas e sapatos. Quatro pessoas foram vítimas fatais do acidente, incluindo Leide das Neves, aos 6 anos.
Serviço:
Data: 18 de setembro
Horário: 9h
Local: Hospital Estadual Dr. Alberto Rassi – HGG