Em alusão ao Dia Mundial da Doação de Órgãos, o Hospital Estadual Dr. Alberto Rassi – HGG promoveu, no dia 26 de setembro, uma edição especial do projeto Saúde na Praça, levando informação, serviços e conscientização à população na Praça Abrão Rassi, em Goiânia.
Além dos atendimentos habituais, como aferição de pressão arterial e testes de glicemia, a ação contou com a “Trilha do Doador” — um circuito interativo com modelos anatômicos de órgãos e tecidos que podem ser doados. A cada estação, profissionais da equipe médica e multiprofissional do hospital explicavam as características de cada órgão e tiravam dúvidas dos visitantes.
A gerente da Central de Transplantes da Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES-GO), Katiuscia Freitas, alertou para o contraste entre a alta demanda e a baixa adesão à doação de órgãos no estado. “Temos mais de 2.500 pessoas aguardando por um órgão ou tecido em Goiás. Infelizmente, somos um dos estados com maior índice de recusa familiar no país. Precisamos mudar esse cenário com informação, acolhimento e diálogo”, ressaltou.
Entre os participantes, histórias de reflexão e mudança de postura chamaram a atenção. A aposentada Maria Rodriguez da Cruz, de 60 anos, veio de Caiapônia para uma consulta no HGG e aproveitou a oportunidade para percorrer toda a Trilha do Doador. Ao final, saiu decidida: “Eu vou ser doadora, sim. Vou falar para o vizinho, para o cachorro, para o leiteiro, para os netos… Avisar os familiares é muito importante”, disse, bem-humorada.
Maria relembrou um episódio familiar marcante, em que a doação dos órgãos de seu irmão falecido foi impedida pela esposa dele, apesar do desejo dos demais parentes. “Isso é falta de pensar no próximo. Tem gente que nunca viu a luz do dia, e uma córnea pode mudar isso. Outros esperam por um fígado, por um coração…”, refletiu.
A iniciativa também atraiu quem passava pelo local por acaso. A aposentada Maria Inês Morais, de 66 anos, interrompeu o trajeto de ônibus para participar. “Vi de longe, achei importante e desci. Já ganhei meu dia. Consegui esclarecer uma dúvida com a médica, algo que me incomodava há tempos. Agora sei que posso ser doadora”, afirmou.
Referência em transplantes na região Centro-Oeste, o HGG já realizou mais de 1.200 procedimentos, incluindo transplantes de rim, fígado, medula óssea e pâncreas. Entre 2017 e agosto deste ano, foram contabilizados 1.124 transplantes renais, 65 hepáticos, além de 34 de medula óssea e 10 de pâncreas apenas nos últimos dois anos.
Seja doador
Para se tornar um doador de órgãos no Brasil, não é necessário registro em cartório ou indicação em documentos oficiais. O passo essencial é comunicar à família sobre essa decisão, já que a autorização para a retirada de órgãos e tecidos, após a confirmação da morte encefálica, depende exclusivamente dos familiares.
Nesse processo, a equipe médica acompanha os parentes e realiza uma entrevista detalhada para avaliar o histórico clínico do possível doador. A análise é determinante para assegurar a segurança dos receptores, uma vez que condições como diabetes, infecções não tratadas ou uso de drogas injetáveis podem inviabilizar a doação.