O Governo de Goiás e a Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES-GO) passam a disponibilizar, a partir desta quinta-feira, 08 de outubro, sensores para monitoramento de glicose em pacientes diabéticos. Os dispositivos serão destinados a todos os pacientes de 2 a 14 anos diagnosticados com diabetes tipo 1, atendidos no Centro Estadual de Atenção ao Diabetes (CEAD) do Hospital Estadual Dr. Alberto Rassi – HGG. Referência nacional no atendimento aos pacientes diabéticos, o HGG também se torna o primeiro hospital da rede estadual de saúde a oferecer, de forma sistemática, os dispositivos. O sensor é aplicado sob a pele, sem a necessidade de picadas nos dedos ao longo do dia.
O secretário adjunto da saúde da Secretaria de Estado da Saúde e médico endocrinologista, Sergio Vencio destaca que o CEAD do HGG firma o compromisso de disponibilizar os sensores por ser um centro de referência nacional no atendimento ao diabetes. “Temos cerca de 60 pacientes elegíveis para receber estes dispositivos de última geração e a meta do Governo de Goiás é alcançar, neste primeiro momento, até 100 pacientes do CEAD nesta faixa etária. Será um investimento de cerca de R$ 768 mil por ano, um valor que representa mais qualidade de vida para os pacientes e tranquilidade para as famílias”, afirmou.
O novo serviço disponível aos usuários do Sistema Único de Saúde faz parte do Programa de Monitoramento Contínuo de Glicose em Crianças e Adolescentes do HGG, que será lançado no dia 9 de outubro, às 9h, no auditório da unidade. Neste dia, além de fornecer o equipamento, o hospital vai oferecer um treinamento para todos os pacientes e responsáveis sobre como aplicar os sensores, o modo correto de uso e as funcionalidades do dispositivo.
A médica endocrinologista pediatra do HGG, Tainara Emília reforça que todos os pacientes dentro da faixa etária de 2 a 14 anos receberão gratuitamente, todos os meses, dois sensores para o acompanhamento da glicose. “Estes sensores duram entre 14 e 15 dias. Por isso, as pessoas precisam de dois sensores por mês, pelo menos, o que será garantido pelo hospital. Além destes dispositivos que estarão fixados na pele dos pacientes, nós também vamos disponibilizar monitores digitais, para que eles e os pais possam acompanhar oscilações perigosas de glicose mais estáveis”, explicou.
Tainara Emília explica ainda que estes pacientes que receberão os sensores retornam daqui um mês para receberem novos dispositivos. “Eles retornam em 30 dias para uma nova consulta onde vão receber novos dispositivos. A equipe médica do CEAD irá fazer a avaliação dos dados coletados pelo sensor e orientar as famílias sobre como interpretar as informações”, afirmou.
Estes dados também serão base de pesquisas no HGG. A partir das amostras, a unidade, através de suas comissões de ensino pesquisa, irão elaborar estudos que podem contribuir para embasar políticas públicas para o atendimento à população diabética.
O Brasil é o terceiro país do mundo em casos de diabetes tipo 1 em crianças e adolescentes. A doença é mais comum na infância, geralmente a partir de 5 anos de idade, até o começo da idade adulta.
O Dispositivo
Os sistemas de monitoramento contínuo de glicose são tecnologias que permitem medir os níveis de glicose no organismo de forma contínua, sem a necessidade de picadas nos dedos ao longo dos dias. O sensor é aplicado sob a pele e envia leituras frequentes da glicose, ajudando a identificar oscilações perigosas e a manter os níveis mais seguros.
Desde 2017, o Brasil conta com sensores de monitorização contínua (CGM) registrados na Anvisa. O sensor é inserido sobre a pele — todos no braço e mede a glicose no líquido intersticial (não diretamente no sangue). Ele armazena os dados que podem ser acessados por um leitor ou celular compatível.
O modelo que será disponibilizado pelo Governo de Goiás mostra gráficos das últimas 8 horas, indica tendências (se a glicose está subindo ou descendo) e não exige calibração diária.
Como o pâncreas não fabrica insulina, é precisa medir ou ter o sensor indicando para o médico entender o comportamento da glicose. Além de fornecer informações sobre se o paciente está com hipoglicemia ou hiperglicemia e o que pode comer. Como é preciso contar carboidratos, essa contagem também é ajustada de acordo com a glicemia.
Medir a glicose na ponta do dedo ou pelo sensor indica para o paciente o quanto deve aplicar de insulina, se está em hipoglicemia ou hiperglicemia, além de ajudar o médico a entender o comportamento da glicose. Em pacientes com diabetes tipo 1, o pâncreas não produz mais insulina, sendo com frequência necessária a aplicação de insulina em todas as refeições, de acordo com a contagem de carboidratos. E essa contagem também é ajustada de acordo com a glicemia.
Os benefícios
Segundo o Ministério da Saúde, entre 2019 e 2023, o Sistema Único de Saúde (SUS) gastou mais de R$ 200 milhões com internações por diabetes tipo 1 e 2 em crianças e adolescentes de até 19 anos. A maior parte desse valor está associada a complicações evitáveis, como a cetoacidose diabética, responsável por cerca de 70% das admissões hospitalares na faixa pediátrica. O sensor de glicemia tem se mostrado uma ferramenta fundamental para o manejo adequado da doença. Prevenir é muito mais eficiente, tanto do ponto de vista clínico quanto econômico.
Estudos mostram que o uso de sensores de monitoramento de glicose:
• Reduz episódios de hipoglicemia e o tempo em que a glicose está fora da faixa ideal.
• Melhora o controle glicêmico de longo prazo (HbA1c).
• Diminui internações por complicações como cetoacidose.
• Melhora a qualidade de vida de pessoas com diabetes tipo 1, tipo 2 e diabetes gestacional.
• No caso de gestantes com diabetes tipo 1, também foram observadas melhorias nos desfechos para o bebê, como menor risco de internação na UTI neonatal.
• Oferecem aos médicos uma visão global do paciente, quando a glicose está subindo ou caindo, durante 24 horas.