O Hospital Estadual Dr. Alberto Rassi – HGG promoveu, na quarta-feira (29/10), um momento de acolhimento e afeto: um paciente da Ala de Cuidados Paliativos pôde reencontrar entes queridos após mais de cinco meses de internação. A visita foi organizada pela equipe multiprofissional com o objetivo de amenizar o sofrimento emocional do paciente, que sentia intensamente a saudade de casa. Durante o encontro, ele recebeu os netos e amigos em um ambiente preparado especialmente para a ocasião.
Emocionado, João Carlos Marques da Silva, de 67 anos, falou sobre o desejo de rever não apenas os familiares, mas também a casa que construiu com as próprias mãos, quando ainda trabalhava como pedreiro. “A saudade era demais”, contou. “Sou muito bem cuidado aqui. Qual hospital faz isso? Ter um hospital que trata o paciente desse jeito é difícil demais”, agradeceu.
Rodeado por amigos, vizinhos e pelos netos, o reencontro foi tocante para todos. “Foi muito tempo fora, né? Demorou bastante, mas ainda bem que ele veio. Espero que venha mais vezes”, disse o neto, João Miguel Cândido Moreira, de 11 anos.
Internado desde 14 de maio de 2025, João Carlos enfrenta um câncer de próstata com metástase, que comprometeu sua coluna e limitou os movimentos das pernas. A condição resultou em graves lesões por pressão, agravadas pela falta de rede de apoio — o pedreiro vivia sozinho e não conseguia realizar os curativos nem cuidar das feridas adequadamente.
No HGG, ele vem recebendo cuidados especializados e tratamento com uma técnica inovadora: o curativo a vácuo, também conhecido como terapia de pressão negativa. O método, ainda pouco difundido em unidades públicas e privadas do país, tem apresentado resultados positivos na cicatrização e no alívio da dor.
“A proposta dos cuidados paliativos é o cuidado integral. Vamos além do controle dos sintomas físicos. Nós olhamos o biopsicossocial do paciente”, explica Karina Fonseca, médica geriatra do Núcleo de Apoio ao Paciente Paliativo (NAPP) do HGG. “O seu João sempre demonstrou um desejo muito grande de voltar para casa. Ele recebe as pessoas com quem tem vínculo no hospital, nós já preparamos um piquenique, visitas estendidas, mas o desejo maior dele, que foi manifestado pra gente, era estar novamente na casa dele, já que ele estava no hospital há 168 dias”, completou.
Desafio
O Brasil ainda enfrenta grandes desafios para garantir dignidade no fim da vida. Segundo estudo publicado em 2022 na revista The Journal of Pain and Symptom Management, o país ocupa a 79ª posição entre 81 nações avaliadas quanto à qualidade da morte e à oferta de cuidados paliativos. O dado reflete desigualdades no acesso a esse tipo de assistência, muitas vezes restrita a grandes centros urbanos.
Mesmo diante desse cenário, o Hospital Estadual Dr. Alberto Rassi – HGG tem se consolidado como referência em cuidados paliativos no Sistema Único de Saúde (SUS). Desde 2014, com a inauguração de uma ala exclusiva e do Núcleo de Apoio ao Paciente Paliativo, a unidade oferece atendimento estruturado e multiprofissional voltado ao alívio do sofrimento físico, emocional e social de pacientes com doenças graves que ameaçam a continuidade da vida.
A equipe do Serviço de Cuidados Paliativos é composta por médicos, enfermeiros, psicólogos, assistentes sociais, fisioterapeutas e nutricionistas, que atuam de forma integrada para garantir conforto e qualidade de vida até os últimos dias. “Nosso objetivo é que o paciente viva com o máximo de bem-estar possível. Isso envolve escuta ativa, controle rigoroso da dor e dos sintomas, acolhimento à família e respeito às individualidades de cada um”, ressalta Ana Maria Porto Carvas, médica coordenadora do NAPP.