Profissionais que integram o Programa de Controle e Cirurgia da Obesidade (PCCO) do Hospital Estadual Dr. Alberto Rassi – HGG promoveram nesta quarta-feira, 29 de outubro, uma palestra educativa sobre Fisiopatologia da Obesidade, voltada a pacientes em fase pré-operatória da cirurgia bariátrica. A ação teve como objetivo ampliar o conhecimento sobre as causas da obesidade e conscientizar sobre a importância da adesão ao tratamento clínico antes da cirurgia.
A atividade explicou que a obesidade é uma doença crônica e multifatorial, resultante da interação entre fatores genéticos, metabólicos, psicológicos, ambientais e sociais. O público foi orientado sobre como o desequilíbrio entre ingestão calórica e gasto energético leva ao acúmulo de gordura corporal, além de conhecer o papel dos hormônios da fome e saciedade, como a leptina e a grelina, no controle do apetite e do metabolismo.
De forma didática, a equipe destacou que o tecido adiposo não é apenas um reservatório de energia, mas também um órgão endócrino, capaz de liberar substâncias inflamatórias e hormônios que contribuem para doenças associadas, como diabetes tipo 2, hipertensão e alterações cardiovasculares.
Os profissionais também apresentaram dados recentes sobre a evolução da obesidade no Brasil: até 2030, estima-se que três em cada dez adultos estarão obesos, com maior prevalência entre mulheres, pessoas negras e populações de menor escolaridade, especialmente nas regiões Norte e Centro-Oeste do país.
Gilberto Moreira, de 38 anos, era um dos 15 pacientes selecionados para participar da palestra. Ele destacou a importância do apoio da equipe para conseguir realizar a cirurgia. “Às vezes a gente desanima, mas ver que existe um time inteiro cuidando da gente, explicando o porquê de cada passo, faz toda a diferença. Saí da palestra com mais vontade de seguir as orientações e mudar de verdade”, afirmou.
A dona de casa, Maria Luiza Pereira, de 47 anos, também acompanhou atentamente as explicações. Ela conta que tem lutado para perder 14 kg e, finalmente, entrar na fila da cirurgia. “Tem sido difícil porque eu perco 1kg, mas logo ganho esse mesmo peso. Com a ajuda de todo mundo aqui e com muito esforço pessoal, eu espero conseguir perder peso e terminar o ano com a cirurgia já feita”, disse.
A palestra abordou ainda aspectos do diagnóstico clínico, como o uso do índice de massa corporal (IMC), da circunferência da cintura e de exames complementares, conforme as diretrizes atualizadas da American Association of Clinical Endocrinology (AACE).
Outro ponto de destaque foi o acompanhamento nutricional dos pacientes pré-bariátricos. A equipe reforçou que essa etapa é essencial para minimizar riscos cirúrgicos, corrigir deficiências nutricionais e promover a reeducação alimentar — medidas fundamentais para garantir resultados duradouros e seguros após o procedimento.
De acordo com o médico Juarez Tavora, chefe do PCCO, a compreensão dos mecanismos fisiopatológicos da obesidade contribui para que os pacientes encarem o tratamento com mais consciência e engajamento. “O sucesso da cirurgia bariátrica depende, sobretudo, de mudanças sustentáveis no estilo de vida. A bariátrica é uma cirurgia delicada e nosso intuito é de que os pacientes adquiram uma nova consciência em relação à alimentação”, concluiu.