O Hospital Estadual Dr. Alberto Rassi – HGG realizou na quarta-feira, 12 de novembro, a segunda edição do projeto "AmarElo", uma iniciativa inédita voltada para o cuidado com a saúde mental de residentes que atuam na assistência hospitalar. O encontro reuniu residentes médicos e multiprofissionais para trabalhar questões emocionais relacionadas ao cotidiano da assistência.
Juliana Vieira, do Serviço de Psicologia do HGG, explica que o "AmarElo" – nome que une as palavras "amar" e "elo" – tem como objetivo fortalecer os vínculos de amor e cuidado durante o atendimento aos pacientes, ao mesmo tempo em que oferece ferramentas para que os profissionais em formação lidem melhor com os desafios emocionais da profissão.
"O projeto foi escrito com o objetivo de trabalhar essas relações para diminuir o esgotamento emocional causado por estresse. Se a gente consegue auxiliar esse residente a entender sobre o processo e os sentimentos que ele traz, ele consegue pensar numa estratégia para se autorregular e se reorganizar", explica Juliana.
Durante os encontros, os residentes têm um espaço seguro para compartilhar as dificuldades enfrentadas nas relações com pacientes, equipes e até entre os próprios colegas. A proposta vai além do desabafo: cada edição oferece técnicas práticas de psicologia para auxiliar no manejo emocional.
Na edição desta quarta-feira, conduzida por Juliana em parceria com o médico psiquiatra Leonardo Prestes foi apresentada a técnica de "grounding" (aterramento). A ferramenta ajuda os profissionais a se concentrarem em si mesmos e em seus sentimentos diante de situações desafiadoras. "Às vezes temos aquele paciente com grande dificuldade de adesão ou que é agressivo. Se eles conseguem fazer essa técnica de aterramento, se reorganizam e se autorregulam emocionalmente, podendo manter aquele atendimento sem ter uma contratransferência negativa, ou seja, sem ter uma resposta ruim com aquele paciente", detalha a psicóloga.
Para a residente de psicologia, Isabella Castilho, o projeto tem um grande potencial catalisador para os profissionais da saúde, pois dentro do ambiente hospitalar passam por diversos desafios que muitas vezes os levam ao limite, tanto físico quanto psicológico, e que exigem muito autocontrole e inteligência emocional.
“O encontro de hoje trouxe muita clareza e acolhimento para demandas que todos nós, profissionais da saúde, estamos sujeitos a passar, por exemplo, como eu me sinto após atender um paciente difícil, como lidar com meu ego e vaidade e não deixar que isso atrapalhe meu vínculo com o paciente, como acolher minhas emoções e não tornar um problema do trabalho em algo pessoal e como essas pequenas ações podem auxiliar na preservação da nossa saúde mental”, afirmou.