05/12/2025 - Inspeção sanitária avalia qualidade dos serviços ofertados no Hemocentro de Goiás



Avaliação tripartite analisou o trabalho desenvolvido na unidade e concluiu ciclo iniciado em 2019.

O Hemocentro Coordenador Estadual de Goiás Prof. Nion Albernaz passou por uma avaliação sanitária, conduzida de 24 a 28 de novembro. A inspeção foi realizada de maneira conjunta entre a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a Subsecretaria de Vigilância em Saúde (Suvisa) e o Serviço de Vigilância Sanitária e Ambiental de Goiânia (Visam).

Para a farmacêutica-bioquímica e responsável pela inspeção representando a Anvisa, Cinthia Alt Cavada, o Hemocentro de Goiás se destaca nacionalmente pela organização, qualidade técnica e maturidade dos processos. Ela explica que a unidade opera com padrões avançados de gestão da qualidade. "O serviço já está numa estrada bem alinhada com o sistema de garantia da qualidade, com processos de qualificação e validação em andamento", avalia.

Segundo Cinthia, o desempenho da unidade resulta do equilíbrio entre tecnologia e compromisso profissional. "Vocês uniram as duas coisas: uma estrutura muito boa e profissionais excelentes. O serviço de hemoterapia funciona muito bem", afirmou. Para ela, o fator humano foi determinante: "não é só a parte de equipamentos, a parte humana também está engajada, e isso transparece no trabalho."

A auditora fiscal de saúde pública de Goiânia, Isolina Maria Xavier Rodrigues, que acompanha o Hemocentro desde 2019, reforça a percepção de avanço contínuo. Ela lembra que naquele ano o serviço apresentava apenas 53% de conformidade. "Não existia nada disso que nós temos aqui hoje, e a gente viu o envolvimento de toda a equipe. Era um medo nosso, quando a OS assumiu, que isso ficasse pior do que já era, e fomos surpreendidos, porque tudo aquilo que estava como não conformidade no relatório de 2019 o serviço lutou e conseguiu corrigir."

Isolina explica que, embora os percentuais possam oscilar, o Hemocentro se mantém dentro da categoria de baixo risco. "Ter só 5% ou 6% de não conformidade é muito pouco pelo tamanho e pela complexidade do serviço", destaca. Embora o resultado da inspeção de 2025 ainda não tenha sido divulgado, a auditora também elogiou a postura da equipe diante das recomendações sanitárias. "Eu agradeço muito a resposta do serviço. Muitas vezes o auditor fiscal intima e não consegue retorno. Aqui, não. O serviço responde, corrige e se compromete".

Avanços

A diretora técnica do Hemocentro, Ana Cristina Novais, lembra que a inspeção deste ano conclui um ciclo iniciado em 2019. "Isso representava, na época, a necessidade de interdição do serviço, e o Idtech (Instituto de Desenvolvimento Tecnológico e Humano) pediu para os fiscais aguardassem um tempo para mostrar o trabalho que seria feito e é isso que aconteceu. [...] Saímos de um cenário crítico para recebermos elogios diante dessa inspeção que finaliza um processo iniciado há anos. É a comprovação de que a qualidade do serviço prestado está consolidada", afirma.

Ela destaca que o avanço é resultado de uma soma de esforços e investimentos. "Diante dos repasses regulares do Governo do Estado, do comprometimento de uma organização social séria e das condições oferecidas para que a equipe tivesse estrutura física, parque tecnológico e capacitações, chegamos a esse resultado. É um trabalho totalmente em equipe."

Ana Cristina também relembrou marcos importantes nessa trajetória. Em 2019, o Hemocentro tinha apenas 48% de conformidade no Programa Nacional de Qualidade; em 2022, chegou a 95%. Na avaliação da Organização Nacional de Acreditação (ONA), a unidade solicitou o Nível 1 e conquistou o Nível 2, demonstrando maturidade técnica. Outro avanço significativo foi a retomada do envio de plasma para a Empresa Brasileira de Hemoderivados e Biotecnologia (Hemobrás). Após mais de 12 anos sem atender aos requisitos, o Hemocentro passou a enviar regularmente e já contabiliza mais de 32 mil bolsas, que contribuíram para a produção de cerca de 11 mil frascos de medicamentos.

O aumento do número de doadores também chama atenção: eram 55 mil em 2019 e, em 2024, o serviço alcançou 69 mil, com perspectiva de superar essa marca em 2025. Além disso, a distribuição de hemocomponentes mais que dobrou nos últimos anos, saindo de 29 mil no início do projeto para 82 mil atualmente, assim como a contribuição de Goiás para a hemorrede nacional, com o envio de mais de 4 mil hemocomponentes a outros estados nos últimos anos.

A diretora técnica da Rede Hemo destacou as próximas metas: ampliar a cobertura aos pacientes com coagulopatias, pleitear habilitação em doenças raras, fortalecer o diagnóstico na linha de cuidado da anemia falciforme, além de expandir a formação profissional com a chegada de uma residência multiprofissional.

"Hoje, podemos dizer que o Hemocentro de Goiás saiu de um patamar de baixa qualidade técnica para se tornar um serviço que entrega um sangue com qualidade e segurança, qualificado e reconhecido nacionalmente. É um momento de muita alegria e de reafirmação do compromisso com a saúde da população goiana", concluiu Ana Cristina.



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