10/07/2026 - Pesquisa conduzida por residente do HGG aponta baixa adesão ao autocuidado entre pacientes com diabetes tipo 2



Estudo revela que sedentarismo, excesso de peso e dificuldades no controle da doença ainda são desafios para pacientes atendidos em centro especializado de Goiânia

Uma pesquisa conduzida pela fisioterapeuta Isabela Alves Cunha, residente do Programa de Residência Multiprofissional do Hospital Estadual Dr. Alberto Rassi - HGG, revelou que pacientes com diabetes mellitus tipo 2 apresentam baixa adesão às principais práticas de autocuidado, fator que pode comprometer o controle da doença e favorecer o surgimento de complicações crônicas. O estudo foi publicado na Revista Epidemiologia e Serviços de Saúde (RESS), periódico científico do Ministério da Saúde, e analisou o perfil clínico e os hábitos de autocuidado de 199 pacientes atendidos no Centro Estadual de Atenção ao Diabetes (CEAD) do HGG. O trabalho buscou compreender como os pacientes lidam diariamente com o tratamento do diabetes tipo 2 e identificar os principais desafios relacionados ao autocuidado.

Os resultados mostram que os participantes tinham idade média de 64,9 anos, predominância do sexo feminino (66,3%) e conviviam com a doença há mais de dez anos, em sua maioria. Mais de 80% apresentavam sobrepeso ou obesidade, enquanto 84,4% eram sedentários, cenário que reforça a necessidade de fortalecimento das ações de promoção da saúde e prevenção de complicações.

O estudo também identificou que a neuropatia diabética foi a complicação mais frequente entre os participantes, seguida pela retinopatia e pela nefropatia. Além disso, cerca de um terço dos pacientes já havia apresentado lesões nos pés e 8,5% relataram amputações decorrentes da doença.

Para avaliar o nível de autocuidado, os pesquisadores utilizaram o Questionário de Atividades de Autocuidado com o Diabetes (QAD). A análise revelou que a prática de atividade física foi o aspecto com menor adesão: quase nove em cada dez participantes afirmaram não realizar exercícios regularmente. Também foram observadas dificuldades em seguir orientações alimentares, monitorar a glicemia e realizar o autoexame dos pés, práticas fundamentais para evitar complicações. Em contrapartida, a adesão ao tratamento medicamentoso foi elevada, demonstrando comprometimento dos pacientes com o uso correto dos medicamentos prescritos.

A pesquisa também verificou que pacientes com maior Índice de Massa Corporal (IMC) tendem a apresentar hábitos alimentares menos saudáveis. Já as mulheres demonstraram melhor adesão às orientações relacionadas à alimentação quando comparadas aos homens.

Segundo Isabela Alves Cunha, os resultados reforçam a importância de estratégias multiprofissionais que estimulem mudanças no estilo de vida e fortaleçam o autocuidado. “O acompanhamento contínuo por equipes especializadas, aliado à educação em saúde, pode contribuir para reduzir complicações, melhorar a qualidade de vida dos pacientes e diminuir o impacto do diabetes sobre o sistema público de saúde”, reforçou.




© IDTECH, Hospital Estadual Alberto Rassi/HGG, Hemocentro de Goiás - TODOS OS DIREITOS RESERVADOS

Ícone de acessibilidade

Acessibilidade