Uma pesquisa conduzida pela fisioterapeuta Isabela Alves Cunha, residente do Programa de Residência Multiprofissional do Hospital Estadual Dr. Alberto Rassi - HGG, revelou que pacientes com diabetes mellitus tipo 2 apresentam baixa adesão às principais práticas de autocuidado, fator que pode comprometer o controle da doença e favorecer o surgimento de complicações crônicas. O estudo foi publicado na Revista Epidemiologia e Serviços de Saúde (RESS), periódico científico do Ministério da Saúde, e analisou o perfil clínico e os hábitos de autocuidado de 199 pacientes atendidos no Centro Estadual de Atenção ao Diabetes (CEAD) do HGG. O trabalho buscou compreender como os pacientes lidam diariamente com o tratamento do diabetes tipo 2 e identificar os principais desafios relacionados ao autocuidado.
Os resultados mostram que os participantes tinham idade média de 64,9 anos, predominância do sexo feminino (66,3%) e conviviam com a doença há mais de dez anos, em sua maioria. Mais de 80% apresentavam sobrepeso ou obesidade, enquanto 84,4% eram sedentários, cenário que reforça a necessidade de fortalecimento das ações de promoção da saúde e prevenção de complicações.
O estudo também identificou que a neuropatia diabética foi a complicação mais frequente entre os participantes, seguida pela retinopatia e pela nefropatia. Além disso, cerca de um terço dos pacientes já havia apresentado lesões nos pés e 8,5% relataram amputações decorrentes da doença.
Para avaliar o nível de autocuidado, os pesquisadores utilizaram o Questionário de Atividades de Autocuidado com o Diabetes (QAD). A análise revelou que a prática de atividade física foi o aspecto com menor adesão: quase nove em cada dez participantes afirmaram não realizar exercícios regularmente. Também foram observadas dificuldades em seguir orientações alimentares, monitorar a glicemia e realizar o autoexame dos pés, práticas fundamentais para evitar complicações. Em contrapartida, a adesão ao tratamento medicamentoso foi elevada, demonstrando comprometimento dos pacientes com o uso correto dos medicamentos prescritos.
A pesquisa também verificou que pacientes com maior Índice de Massa Corporal (IMC) tendem a apresentar hábitos alimentares menos saudáveis. Já as mulheres demonstraram melhor adesão às orientações relacionadas à alimentação quando comparadas aos homens.
Segundo Isabela Alves Cunha, os resultados reforçam a importância de estratégias multiprofissionais que estimulem mudanças no estilo de vida e fortaleçam o autocuidado. “O acompanhamento contínuo por equipes especializadas, aliado à educação em saúde, pode contribuir para reduzir complicações, melhorar a qualidade de vida dos pacientes e diminuir o impacto do diabetes sobre o sistema público de saúde”, reforçou.